Capítulo final da atração foi exibido na noite deste domingo (19)

Por GaúchaZH

O TEXTO A SEGUIR CONTÉM SPOILER

Oito anos, oito temporadas e 73 episódios: todas as mortes inesperadas, guerras e intrigas políticas prepararam Game of Thrones para o desfecho que foi apresentado neste domingo (19). A dúvida sobre quem ocuparia o Trono de Ferro no final foi respondida em seu último episódio – o sexto da oitava temporada. Teve morte, rompimento e o tal final agridoce, conforme antecipado por elenco e realizadores. No entanto, para alguns fãs, o fim estava mais para insípido.

Adaptada da série de livros As Crônicas de Gelo e Fogo, de George R.R. Martin, Game of Thrones passou a linha do tempo da obra literária na sexta temporada, apresentando desfechos diferentes daqueles que estão sendo escritos há um bom tempo pelo autor – que tem adiado o lançamento do sexto livro, intitulado Os Ventos do Inverno. Ainda haverá uma sétima publicação para concluir a história. Portanto, então, que haja um outro final que seja diferente da série televisiva.

O último episódio começa com Tyrion (Peter Dinklage), Davos (Liam Cunningham) e Jon Snow (Kit Harington) perambulando pelas cinzas de Porto Real. O anão se separa dos três e vai até a Fortaleza Vermelha, analisando sua destruição. Lá, encontra seus dois irmãos, Cersei (Lena Headey) e Jaime (Nikolaj Coster Waldau), abraçados mortos entre os escombros.

Enquanto isso, Jon e Davos encontram Verme Cinzento (Jacob Anderson) e seus guerreiros Imaculados prestes a executarem os sobreviventes do exército de Cersei. Jon intervém, mas Verme Cinzento disse que essas são as ordens da rainha e mata os soldados mesmo assim. Jon e Davos partem desconfortáveis com a situação.

A matança compensou: Daenerys promove Verme Cinzento a mestre de guerra da rainha. Sob os escombros de Porto Real, em uma cenário cuja composição remetia aos discursos públicos praticados no Terceiro Reich, ela também anunciou sobre seu novo objetivo: libertar agora todo o resto do mundo. Há um enquadramento que encaixa Dany com as asas de Drogon, simbolizando que agora ela é o dragão que Olenna Tyrell (Diana Rigg) havia lhe aconselhado a ser.

A seguir, Dany acusa Tyrion de traição por ter libertado Jaime. Ele refuta a Mãe dos Dragões apontando que ela matou inocentes. Ainda, joga fora o símbolo de Mão do Rei. Consequentemente, Tyrion é feito prisioneiro.

Jon e Arya (Maisie Williams) se encontram, e ela destaca que Dany sempre saberá quem ele é de verdade – o legítimo herdeiro do Trono de Ferro. Tyrion também tenta convencer Jon de que Dany é uma ameaça para os Sete Reinos, inclusive para suas irmãs – Sansa (Sophie Turner) e Arya.

— A natureza da nossa rainha é fogo e sangue — dispara Tyrion.

Contudo, Jon continua hesitando por conta de seu amor a Dany. Ele vai ao encontro da Mãe dos Dragões tentar alertá-la de seus atos e convencê-la de perdoar Tyrion. Diante do Trono de Ferro, os dois discutem: Dany acha que seus atos são bons e convida Jon a participar.

— Vamos fazer isso juntos! Vamos quebrar a roda juntos! — propõe Daenerys.

Os dois se abraçam, e Jon afirma:

— Você é a minha rainha. Agora e sempre.

Ele crava uma adaga em Dany. Surge Drogon para proteger sua mãe. A criatura não ataca Jon, mas cospe fogo e queima o Trono de Ferro. Há quem diga que o dragão foi o mais sensato nesse ato, contendo um simbolismo. Após derreter o trono, Drogon voa levando o corpo de Daenerys.

Reunião de condomínio

Com ares de reunião de condomínio, um conselho é formado para decidir o rumo de Westeros, além do que será de Jon Snow e Tyrion – dois prisioneiros criminosos. Nessa reunião, surgem personagens desaparecidos, como Robin Arryn (interpretado pelo brasileiro Lino Facioli) e Edmure Tully (Tobias Menzies), e outros mais recorrentes – Sansa, Yara Greyjoy (Gemma Whelan), Sam (John Bradley-West), Bran (Isaac Hempstead-Wright), Davos e Arya.

No conselho, Sam até tenta propor uma democracia: o povo escolhe o novo rei ou rainha, mas a ideia é recebida com risos pelos participantes.

Tyrion propõe que Bran, o Quebrado (agora com alcunha), seja o novo rei. Inclusive, todos concordam, mas Sansa faz um adendo: quer que o Norte seja independente. Seu irmão aceita. Tyrion se torna a Mão do Rei. Quando Bran morrer, o conselho decidirá o substituto, colocando um ponto final na monarquia hereditária em Westeros.

Por ter matado a rainha e para evitar um novo conflito, Jon é condenado a voltar para a Patrulha da Noite.

Cada um em seu canto

Os Imaculados embarcam para a Ilha de Naath – local onde viveu Missandei (Nathalie Emmanuel) e o qual Verme Cinzento jurou proteger. Em Porto Real, o conselho de Bran é formado por Tyrion, Brienne (Gwendoline Christie), Bronn (Jerome Flynn), Davos e Sam.

Já os Starks se dividem: Sansa se torna a Rainha do Norte, e Arya parte para explorar o Oeste de Westeros. Nas cenas derradeiras, Arya está em um navio, prestes a se tornar uma espécie de Cristóvão Colombo, pois o Oeste é desconhecido em Westeros. Sansa recebe a coroa em Winterfell e é aclamada como a Rainha do Norte – um final digno e condizente com sua trajetória.

Jon reencontra os selvagens, Tormund (Kristofer Hivju) e seu pet Fantasma – que, convenhamos, deveria rejeitá-lo após seu tutor o abandonar no quarto episódio. Com essa trupe, ele atravessa a muralha e parte para o Norte. À vontade com a neve, o frio e a roupa preta de corvo, Jon vira um líder do Povo Livre, no caso, um novo Mance Rayder (Ciarán Hinds).

O fim

Embora tenha sido condizente com a trajetória de alguns personagens, Game of Thrones não apresentou exatamente um final agridoce – foi apenas insípido se comparado com a trajetória da série. Não que fosse esperado um final feliz, mas que trouxesse uma melhor construção e uma experiência satisfatória. O final mais para lá do que cá vinha se desenhando ao longo na oitava temporada, em que foi engatada a quinta marcha para apressar a conclusão – o que trouxe como consequência a descaracterização dos personagens. Com apenas seis episódios, que passaram a faixa de 60 minutos, o tempo disponível se revelou pouco para o desenrolar da história.

Mais baixos do que altos

•E o povo Dothraki? Parecia que haviam sido exterminados na Batalha de Winterfell, mas marcaram presença em um bom número nos dois últimos episódios. No entanto, para onde foram? Vão ficar tocando o terror em Westeros? Eles aceitaram sua rainha morta?
•Acuado por não estar agindo com tanta inteligência quanto em temporadas anteriores, Tyrion deu a volta por cima: fez a cabeça de Jon para matar Daenerys, sugeriu votação e elegeu Bran como rei, escapou da prisão e, por fim, voltou ao cargo de Mão do Rei.
•Como argumento para que Bran fosse escolhido rei, Tyrion diz que o jovem tinha a melhor história entre todos do conselho. Talvez tenha sido um autoelogio dos roteiristas, mas soou desproporcional assim como vários momentos na última temporada: ao lado de Bran, estava Arya, que matou o Rei da Noite e teve tremenda evolução ao longo da trama. E também Sansa. Menos, Tyrion. Menos, roteiristas.
•Foi “heroica” a trajetória de Bran na oitava temporada: ríspido e enigmático em suas conversas, não interferiu em nada nos rumos da história e foi passivo o tempo todo. Ainda sim, virou rei. Eis o triunfo do personagem planta.
•A transição da queda de Daenerys para a reunião do conselho foi preguiçosa. Uma das principais personagens da série morre e, logo, já é esquecida?
•Arya vai descobrir o Brasil?