Perto do desfecho da atração, fãs temem que “Game of Thrones” entre para o time de produções que desandaram no fim

Por GaúchaZH

ATENÇÃO: TEXTO CONTÉM SPOILERS

À medida que o epílogo de Game of Thrones se aproxima, cresce a insatisfação de muitos fãs com os rumos da trama. Com o último episódio previsto para este domingo (19), há um receio de que a série da HBO desande em sua conclusão.

Afinal, muita série começa bem e cativa uma boa base de fãs, mas termina com o público sentindo-se traído por conta de seu desfecho. O espectador mais desesperado com o final pode até se perguntar: “Afinal, eu gastei horas da minha vida para isto?”.

Nesse panteão de séries que decepcionaram seus fãs no fim, ao qual Game of Thrones pode se juntar, estão produções de sucesso como Dexter, Lost, Arquivo X, How I Met Your Mother, entre outras.

A seguir, confira algumas séries que tiveram seus finais contestados pelos fãs.

LOST

Exibida entre 2004 e 2010, Lost intrigou fãs e revolucionou a forma como se fazia televisão. No entanto, seu desfecho não foi engolido por boa parte do público. É como se a conclusão da série confirmasse a já batida teoria de que os personagens estavam mortos o tempo todo. Em 2016, o ator Michael Emerson, que deu vida a Benjamin Linus, ainda estava explicando o final de Lost durante uma convenção em Atlanta, nos EUA.

– A única coisa de que tenho certeza é que tudo o que vocês viram na ilha realmente aconteceu, ao longo das primeiras cinco temporadas. Tudo aqui foi real – disse Emerson. – O final se passa no futuro. Anos, séculos, milênios se passaram. Nós estamos em um lugar depois da vida, na eternidade, se preferirem. Todos os personagens da série se reuniram aqui para celebrar o fim da vida. Todos eles vão passar para uma outra vida feliz. Assim como em Shakespeare, todos vão em pares, casais. Isso porque, de acordo com as regras de Lost, você só pode ir para o paraíso, se quiserem chamar dessa forma, se passar por um espelho redentor, com alguém que te amou sem ressalvas – explicou.

DEXTER

Após oscilar entre boas e irregulares temporadas, Dexter entregou um final decepcionante em seu oitavo ano. Depois uma sucessão de acontecimentos rocambolescos – como a morte de sua irmã, Debra Morgan (Jennifer Carpenter), seu filho ficar sob a guarda de sua ex-namorada psicopata e ele se tornar um lenhador –, há uma sensação de que a série sobre o complexo serial killer interpretado por Michael Hall poderia ter sido encerrada em seu auge, no último episódio da quarta temporada. A partir daí, Dexter foi decaindo ano após ano.

ARQUIVO X

A série sobre os agentes Fox Mulder (David Duchovny) e Dana Scully (Gillian Anderson), que investigavam casos paranormais, foi sucesso nos anos 1990 e oscilou até um encerramento cumpridor em 2002, na nona temporada. Arquivo X podia ter ficado na lembrança dos fãs. No entanto, a série foi ressuscitada com o filme Eu Quero Acreditar (2008). Em 2016, a atração voltou para mais seis episódios desnecessários. Porém, o desastre mesmo veio na catastrófica 11ª temporada, em 2018. Para se ter uma ideia, o primeiro capítulo consegue a proeza de anular o desfecho da temporada anterior, ressuscitar o vilão Canceroso (William B. Davis) e bagunçar a mitologia da série, mexendo no que já estava estabelecido.

Ao longo de 10 capítulos, com exceção de alguns episódios independentes, os realizadores de Arquivo X não tinham a menor ideia do que estavam fazendo. Na série, havia uma jornada de Mulder e Scully em busca do filho, William, que foi bruscamente reduzida: a existência do jovem foi atribuída a uma experiência mequetrefe com DNA alienígena. Sem problemas: Scully simplesmente abre mão dele. Tanto faz também, pois ela espera um filho de Mulder, uma jogada inexplicável do roteiro (sequer há cena de beijo entre os dois). A temporada 11 deixou brechas para um possível retorno da série, que, dificilmente, ocorrerá – Gillian Anderson anunciou sua aposentadoria do papel de Scully.

HOW I MET YOUR MOTHER

Em sua nona temporada, How I Met Your Mother tentou surpreender em seu final, mas decepcionou os fãs. Afinal, a mãe do título morre e Barney (Neil Patrick Harris) e Robin (Cobie Smulders) acabam separados – ela fica com o viúvo Ted (Josh Radnor).

HEROES

Exibida entre 2006 e 2010, a série inspirada nos quadrinhos abordava pessoas comuns que descobriam possuir habilidades especiais. No entanto, a atração se perdeu em meio a tantos núcleos e culminou em uma bagunçada quarta temporada, que trouxe conclusões bobas e arcos mal resolvidos. Em 2015, houve uma tentativa de ressuscitar a história com Heroes Reborn, que cometeu os mesmos pecados da série original – apenas imagine os protagonistas sacrificando o vovô para soltar um raio de energia em uma cauda solar e, ufa, salvar a terra. Reborn só teve uma temporada.

TWO AND A HALF MEN

Convenhamos, Two and a Half Men acabou quando Charlie Sheen foi demitido da série, em 2011. Porém, o seriado persistiu com Ashton Kutcher e não conseguiu empolgar como antes. No último episódio, é revelado que o personagem de Sheen, dado como morto, estava vivo. Ele era mantido como refém por Rose (Melanie Lynskey), sua vizinha obcecada. Em seguida, o personagem acaba morrendo de vez ao ser atingido por um piano. Vale ressaltar que Charlie Sheen não aparece em nenhum momento no episódio derradeiro.

HOUSE OF CARDS

Assim como Two and a Half Men, House of Cards foi outra atração que desandou após perder seu protagonista. Com a saída de Kevin Spacey – cortado do elenco após diversas acusações de assédio sexual – e, consequentemente, de seu personagem Frank Underwood, a Netflix deu continuidade a House of Cards com sua sexta e derradeira temporada focada em Claire Underwood (Robin Wright). Dolorosamente, episódio após episódio, a série foi abandonando a verossimilhança em sua reta final, culminando em um confronto estapafúrdio entre Claire e Doug Stamper (Michael Kelly) – que revela ter matado Frank para proteger o legado.