Em quatro capítulos, minissérie estreia no domingo (23) e retrata relações de dominação e opressão dentro de uma complexa sociedade de coelhos que tenta escapar da ocupação humana

Por GaúchaZH

No clássico de fantasia Em Busca de Watership Down, publicado em 1972, coelhos são capazes de falar, se rebelar e contar até quatro. Levando em consideração a limitação matemática, pode até soar estranho que o herói dos coelhos se chame Quinto (Fiver, no original), por ser o último de uma ninhada de cinco. Mas a questão toda se resume a uma carência na tradução do lapino, idioma oficial dos coelhos: qualquer número acima de quatro é hrair, que significa muitos ou mil.

A construção da sociedade de coelhos de Watership Down, criada pelo romancista britânico Richard Adams (1920-2016), vai além de noções de cálculo e linguística. É uma comunidade organizada, complexa e embebida em aflições muito parecidas com as do homem – quando não causadas por ele. A ação humana não apenas está presente na saga dos orelhudos como é determinante para a história, desde o ponto de partida, quando Quinto, que é vidente, prevê a destruição da toca onde vive pela construção civil, que pretende erguer mansões na propriedade.

Quando a Netflix anunciou a adaptação de Em Busca de Watership Down para uma minissérie de animação homônima, em quatro capítulos (produzida originalmente pela BBC One, no Reino Unido), as primeiras imagens já davam indícios de que havia algo épico a caminho.

Na minissérie, os irmãos Avelã e Quinto, temendo a extinção do viveiro que habitam em Sandleford, reúnem um bando de coelhos para escapar da ocupação humana e viajar pelas bucólicas terras do sul da Inglaterra em busca de um novo lar.

Para chegarem à mítica colina de Watership Down, eles precisarão, antes, enfrentar a autoridade do Chefe dos Coelhos, Threarah, e os membros da Owsla – palavra em lapino para viveiro, que, na fábula, carrega também um significado militar. Com muitas aventuras e inimigos, os coelhos terão de lutar mesmo após encontrarem um lugar seguro para viver, a fim de salvar a colônia vizinha e repovoar a própria comunidade.

Os coelhos ganham voz

O romance já foi adaptado, em 1978, para o filme Uma Grande Aventura, na versão brasileira. Na época, a recepção foi bastante controversa, devido às várias cenas de violência na animação, aparentemente destinada a crianças. A saga dos coelhos também virou uma série britânico-canadense que foi ao ar entre 1999 e 2001 e teve três temporadas, que não foram transmitidas no Brasil.

Na animação da Netflix, os coelhos ganham as vozes de James McAvoy (X-Men), no papel de Avelã, Nicholas Hoult (X-Men e Mad Max: Estrada da Fúria), como o profético Quinto, John Boyega (o Finn, de Star Wars), como o robusto Topete, e a atriz indicada ao Globo de Ouro Rosamund Pike (Orgulho e Preconceito e Garota Exemplar), como Coelho Negro de Inlé.

Com direção de Noam Murro (300: A Ascensão do Império), Em Busca de Watership Down estreia neste domingo (23) na Netflix e promete, mais do que uma aventura, uma reflexão sobre dominação e opressão, fascismo e utopia, comunidade e loucura.