Por GaúchaZH

Filme de Cacá Diegues será o representante nacional que disputará lugar entre os indicados à estatueta de melhor filme estrangeiro

O Grande Circo Místico foi o filme brasileiro escolhido para tentar uma vaga na lista de concorrentes ao prêmio de Melhor Filme de Língua Estrangeira no Oscar de 2019. A escolha foi anunciada nesta terça pela Comissão Especial de Seleção, formada por membros indicados pela Academia Brasileira de Cinema.

Dirigido por Cacá Diegues, que virou imortal da Academia Brasileira de Letras em agosto deste ano, o longa conta a história de um circo mantido por uma família austríaca do século 20 que acumulou histórias fantásticas ao garantir que o projeto passasse de geração para geração.

O filme conta com atores conhecidos do grande público brasileiro, como Bruna Linzmeyer, Jesuíta Barbosa, Juliano Cazarré e o francês Vincent Cassel, experiente em longas brasileiros — atuou em O Filme da Minha Vida, dirigido por Selton Mello.

Originalmente previsto para ingressar no circuito comercial em 6 de setembro, o filme teve sua estreia adiada para 15 de novembro.

— Com o atual momento que vivemos, achamos apropriado adiar a estreia para depois das eleições, com esperança de que as coisas estejam melhores. — comentou a produtora Renata Magalhães, durante o Festival de Gramado.

Vinte e dois filmes nacionais disputavam a indicação, incluindo quatro documentários e a cinebiografia de Yonlu, músico porto-alegrense morto em 2006. A reunião da comissão, comandada por Jorge Peregrino, presidente da Academia Brasileira de Cinema, durou cerca de duas horas. O MinC, por meio da Secretaria de Audiovisual, anunciou que vai destinar R$ 200 mil para a divulgação do filme no exterior.

O Grande Circo Místico é uma adaptação do poema de mesmo nome escrito pelo surrealista brasileiro Jorge de Lima. De modo geral, a narrativa segue de modo bem aproximado o pouco que o poeta esboça nas 47 linhas do poema original.

– — Levei muito tempo para armar a produção. Primeiro para escrever o roteiro, porque é muito difícil transformar um poema em dramaturgia, sobretudo esse do Jorge de Lima, que são poucos versos, sem muito detalhe das histórias. Nós, eu e o roteirista George Moura, usamos o poema como estrutura, mas tivemos que inventar muita coisa – disse o diretor, em Gramado.

Ano passado, Bingo – O Rei das Manhãs foi selecionado para representar o Brasil no Oscar de melhor filme estrangeiro. O longa de Daniel Rezende, porém, não passou da primeira peneira, que resume a lista final a nove títulos.

Confira a lista de filmes que concorriam à indicação nacional neste ano:

Além do Homem, de Willy Biondani
Alguma Coisa Assim, de Esmir Filho e Mariana Bastos
O Animal Cordial, de Gabriela Amaral Almeida
Antes que Eu Me Esqueça, de Tiago Arakilian
Aos Teus Olhos, de Carolina Jabor
As Boas Maneiras, de Juliana Rojas e Marco Dutra
Benzinho, de Gustavo Pizzi
Canastra Suja, de Caio Soh
Como É Cruel Viver Assim, de Julia Rezende
Dedo na Ferida, de Silvio Tendler
Encantados, de Tizuka Yamasaki
Entre Irmãs, de Breno Silveira
Ex-Pajé, de Luiz Bolognesi
Ferrugem, de Aly Muritiba
Não Devore Meu Coração!, de Filipe Bragança
O Caso do Homem Errado, de Camila de Moraes
O Desmonte do Monte, de Sinai Sganzerla
O Grande Circo Místico, de Cacá Diegues
Paraíso Perdido, de Monique Gardenberg
Talvez uma História de Amor, de Rodrigo Bernardo
Unicórnio, de Eduardo Nunes
Yonlu, de Hique Montanari