A última temporada estreia na HBO no primeiro semestre de 2019

Toda adaptação de uma saga literária para o formato de filme ou série resulta em mudanças – para reduzir o tempo, agilizar a história, destacar personagens mais carismáticos e cortar sequências que não funcionam tão bem no formato audiovisual. Não é diferente com As Crônicas de Gelo e Fogo, série de George R.R. Martin que foi adaptada para o mega sucesso Game of Thrones, da HBO: se a primeira temporada foi bastante fiel aos livros, as narrativas foram ficando cada vez mais diferentes conforme a história avançava – até mesmo porque o seriado ultrapassou o ponto da história alcançado por Martin nas publicações, já que os dois últimos volumes da saga ainda parecem longe de vir à luz. Hoje, os fãs têm praticamente duas versões da história à disposição – e o próprio Martin já declarou que o destino de alguns personagens, nos livros, será radicalmente diferente daquele mostrado na TV.

Com a estreia da última temporada de Game of Thrones cada vez mais próxima, confira como o seriado seria diferente se tivesse seguido à risca a história dos livros – e, se você já leu, aproveite para relembrar e “desconfundir” as coisas antes da chegada dos novos episódios:

1 – Aegon Targaryen está vivo

Aegon é o segundo filho, e o único filho homem, do príncipe Rhaegar Targaryen e sua esposa, Elia Martell. Na noite de sua concepção, um cometa foi visto acima de Porto Real, o que fez com que seu pai acreditasse que ele era o Príncipe Prometido da profecia, o Azor Ahai reencarnado, que derrotaria os Caminhantes Brancos de uma vez por todas. Durante a Rebelião de Robert Baratheon, porém, quando a Fortaleza Vermelha foi invadida, Gregor Clegane, conhecido como Montanha, matou todos os filhos de Rhaegar: é dito que o bebê Aegon estava irreconhecível quando seu corpo foi apresentado ao novo Rei, uma vez que sua cabeça estava esmagada. Mas… E se o tal bebê não fosse Aegon?

Pois é exatamente isso o que contam os livros: Lorde Varys (sempre ele) trocou os bebês e contrabandeou o verdadeiro herdeiro do Trono de Ferro para fora de Porto Real. O menino cresceu e vem sendo criado em Essos; fato descoberto, nos livros, por Tyrion Lannister. Aegon está sendo criado para assumir como o Rei Aegon VI, sendo educado em vários idiomas, história, leis, nos mistérios da Fé dos Sete, em matemática e geometria – além de saber duelar, é claro. Existem suspeitas de que o garoto pode ser uma fraude, mas George R.R. Martin ainda não deu a palavra final a respeito. Se Aegon for mesmo filho de Rhaegar e Elia, sua pretensão ao Trono de Ferro é mais forte que a de sua tia, Daenerys, e também mais forte que a de Jon Snow, que é filho bastardo de Rhaegar – ele poderia inclusive ser uma das “três cabeças de dragão” que Daenerys procura. Provavelmente, Aegon foi deixado de fora de Game of Thrones para que a pretensão de Jon Snow ao trono se tornasse mais forte – e sua figura, mais revelante.

2 – Edric Storm e Gendry são dois personagens diferentes

O que Robert Baratheon mais fez na vida foram bastardos – a ponto de alguns deles terem sido cortados da série de TV. Em Game of Thrones, conhecemos o aprendiz de ferreiro Gendry, reconhecido por Ned Stark no livro A Guerra dos Tronos como bastardo de Robert – Gendry acaba se tornando bastante próximo de Arya Stark, e, nos livros, chega a salvar a vida de Brienne de Tarth em certa ocasião. Mas certas coisas que acontecem com Gendry no seriado são, na verdade, acontecimentos da vida de outro bastardo de Robert, Edric Storm, meio-irmão de Gendry: é Edric quem, nos livros, por exemplo, escapa por pouco de ser queimado por Melisandre. A mãe de Edric, Delena Florent, era de nascimento nobre, e, por isso, Robert o reconheceu como filho: o menino foi criado com relativo conforto em Ponta Tempestade, recebia presentes a cada aniversário, e fez amizade com Shireen Baratheon, filha de Stannis (e sua prima por parte de pai). Em A Dança dos Dragões, depois de fugir de Melisandre com a ajuda de Davos Seaworth, Edric está escondido na Cidade Livre de Lys.

3 – Catelyn Stark agora é conhecida como Senhora Coração de Pedra

Quem só acompanha Game of Thrones talvez nem se lembre de Lorde Beric Dondarrion e do sacerdote Thoros de Myr, que aparecem tão brevemente na versão da HBO – mas o fato é que os dois integrantes da Irmandade Sem Bandeiras têm, como Melisandre, o poder de, com a bênção do Senhor da Luz, trazer pessoas mortas de volta à vida. Quando Catelyn Stark é morta pelos Frey no Casamento Vermelho, seu corpo é atirado ao rio, mas retirado de lá por Nymeria, a loba de estimação de Arya (que, agora, vive selvagem pelas florestas, conforme a própria Arya sonha frequentemente) – e, em seguida, encontrado por Dondarrion, que a traz de volta à vida. Isso mesmo: Catelyn está viva na história original, embora sua feridas não tenham sido totalmente curadas, e ela tenha uma aparência terrível, com a pele apodrecida por ter passado muito tempo dentro do rio, além de ser quase incapaz de falar, por ter morrido degolada.

Agora conhecida como Senhora Coração de Pedra, Catelyn assumiu o comando da Irmandade, e, consumida pelo desejo de vingança contra aqueles que destruíram sua família, é bem menos gentil do que costumava ser, enforcando sem piedade qualquer um associado com os Frey, os Bolton ou os Lannister. Em O Festim dos Corvos, Brienne de Tarth é capturada pela Irmandade, e, para não morrer enforcada, jura novamente lealdade a Catelyn Stark, passando a servir à Senhora Coração de Pedra.

4 – Renly e Stannis Baratheon são bem diferentes

Na versão televisiva, Renly é tão irrelevante que não é de surpreender que algumas pessoas nem lembrem que ele existiu – mas o mais novo dos Baratheon, nos livros, chega a ser um forte candidato a assumir o Trono de Ferro; talvez, por algum tempo, o mais forte deles. Com apenas vinte e um anos de idade, era descrito como extremamente bonito e carismático, e, após se casar com Margaery Tyrell e se autoproclamar Rei, consegue o apoio de diversas Casas importantes. Seu fim, porém, foi idêntico nos livros e na série: assassinado por uma sombra invocada por Melisandre. Quanto a Stannis, o que mais muda é sua postura como pai e sua relação com a filha, Shireen: embora a seu modo um tanto duro, Stannis ama e protege a filha acima de tudo, e jamais permitiria que a menina fosse queimada na fogueira, como acontece no seriado. Na versão da HBO, Stannis morre assassinado por Brienne – nos livros, ele ainda está vivo, e é pouco provável que ele e Brienne, agora a serviço da Senhora Coração de Pedra, se encontrem em breve.

5 – Sansa Stark e Ramsay Bolton não se casam

Na história original, os personagens não se casam – na verdade, Ramsay se casa com Jeyne Poole, filha do administrador de Winterfell, Vayon Poole, e melhor amiga de Sansa. O casamento acontece porque os Bolton conseguem convencer a todos (menos Theon Greyjoy) de que Jeyne é, na verdade, a desaparecida Arya Stark – o que legitimaria Ramsay como senhor de Winterfell. Em algum momento, Jeyne e Theon são salvos pelo Rei-Para-Lá-da-Muralha Mance Rayder, que foi enviado por Jon Snow para salvar sua “irmã”, assim que ele ficou sabendo do casamento. Enquanto isso, Sansa está segura no Vale, onde Mindinho planeja casá-la com o último herdeiro da Casa Arryn, Harrold Hardyng, como parte de um plano para revelar a identidade da garota e reclamar Winterfell em seu nome.

6 – A história de Dorne é bem mais complexa

Por mais que você seja um fã menos radical, é impossível não ficar triste com o que foi feito de Dorne – e com como todo o arco de história, rico e complexo, desenvolvido na região, foi totalmente esmigalhado pela HBO. É até difícil saber por onde começar. Doran Martell, por exemplo, é um personagem radicalmente diferente em cada uma das narrativas: como sofre de gota e tem terríveis dores e dificuldades para andar, ele é, nos livros, um homem de aparência frágil, embora extremamente sábio e astuto – e não, não morre assassinado pelas mulheres de sua Casa. Ellaria Sand, a amante de Oberyn, tem muito menos relevância na história original, não é mãe das Serpentes de Areia, e não passa toda a trama tentando vingar a morte do amado – ela é descrita, inclusive, como “de coração gentil”. As Serpentes de Areia, filhas bastardas de Oberyn, não são cópias sem personalidade uma da outra: Obara (filha de uma prostituta, é a mais velha, uma guerreira dura, forte e rápida, que sabe manejar o chicote e a lança), Nymeria (filha de uma nobre, sabe lutar com adagas, mas não é uma guerreira tão hábil quanto Obara – embora tenha toda a beleza que lhe falta, sendo descrita como excepcionalmente bela) e Tyene (a mais nova, filha de uma septã, de personalidade doce e gentil, mas conhecedora dos venenos mais mortais) são personagens fortes e extremamente interessantes, que passam praticamente despercebidas na TV.

Dois dos filhos de Doran nem aparecem na versão da HBO: Quentyn Martell, que viaja a Essos com a missão de encontrar Daenerys Targaryen e trazê-la a Dorne; e, mais importante, Arianne Martell, a mais velha, futura Princesa de Dorne (já que lá as mulheres também podem governar). Arianne trama um plano para coroar a Princesa Myrcella, filha de Cersei Lannister, como Rainha do Trono de Ferro, segundo a tradição dornense – o que elevaria o status da casa Martell, já que Myrcella está prometida ao filho mais novo de Doran, Trystane. E não, nos livros Myrcella não morre.

7 – E a dos Greyjoy também

Assim como aconteceu com Dorne, a trama da Casa Greyjoy se perdeu em uma tentativa do seriado de dar destaque ao que acontece em Porto Real, Winterfell, na Muralha e em Essos – o que é uma pena, já que as histórias e traições que acontecem entre os Greyjoy são algumas das partes mais interessantes dos livros. Quando o Rei Balon, pai de Theon, morre, é convocada a primeira Assembleia de Homens Livres do milênio, para eleger um novo Rei – e então conhecemos melhor alguns personagens que quase não se destacam em Game of Thrones, como o selvagem e imprevisível Euron Olho de Corvo (que acaba coroado), o feroz – mas bem mais sensato – Victarion Greyjoy (que pretende encontrar e se casar com Daenerys Targaryen), o exótico Aeron Greyjoy (um sacerdote do Deus Afogado) e a própria Asha Greyjoy (que por algum motivo se chama Yara no seriado), que é bem diferente: Asha é sim uma guerreira e uma capitã muito competente, mas é também muito bonita, sedutora e ousada, sendo sexualmente muito livre e tendo uma boa quantidade de amantes – aspectos que não são mostrados na versão da HBO.

Game of Thrones é a campeã de indicações ao Emmy deste ano, com 22 nomeações. Recentemente, a atriz inglesa Nathalie Emmanuel, que interpreta Missandei na série, disse que o final da história vai surpreender e “partir o coração” dos fãs que acompanharam a produção nos últimos oito anos.