‘Margem’, álbum que sucede ‘A Mulher do Pau Brasil’, já chegou às lojas e plataformas digitais

Por GaúchaZH

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – Depois de percorrer o Brasil no ano passado com “A Mulher do Pau Brasil”, que não teve registro em disco, Adriana Calcanhotto lança “Margem”, álbum de inéditas que é o encerramento de uma trilogia de discos com a temática do mar nas letras.

Em 1998, ela gravou “Maritmo”. Em 2008, “Maré”. Com o novo lançamento, cria um trio de obras bem diferentes em melodias e harmonias, mas tratando nas letras a impermanência provocada pelo ir e vir das ondas.

Uma característica de seus últimos trabalhos parece se acentuar, relacionada com seu momento como professora na Universidade de Coimbra, em Portugal, para onde retorna depois da turnê desse disco, na quarta temporada de seu curso sobre como escrever canções.

Em “Margem”, várias vezes ela se refere na letra à própria canção. Como em “Dessa Vez”, em que diz: “Eu nunca soube o que fazer com as vírgulas/ Conheço umas palavras míseras”. Ou “Era Pra Ser”, que começa revelando que deveria ser uma música de amor e mostra como a letra mudou.

“Não é uma coisa deliberada, mas estou mesmo investigando a canção e os motivos da canção”, diz a cantora e compositora. “Tenho trabalhando com isso em Portugal e é uma retroalimentação, essa coisa de estudar as canções. Venho de uma família de professores, mas nunca tinha reparado o quanto ensinar é estudar.”

Nas molduras sonoras desses versos, “Margem” tem uma variedade de ritmos ausente dos últimos álbuns, como batidas eletrônicas. “Acho que estava menos explícito, porque havia momentos mais em torno do meu violão”, contrapõe Calcanhotto.

Ela diz que essa nova safra de músicas foi escrita enquanto ela disparava loops eletrônicos. “Meu Bonde”, uma das surpresas do disco, um quase funk, meio marchinha, nasceu quando ela ouvia o barulho do ônibus da turnê passada rodando na estrada.

“Quando chego para os meninos com uma música vinda dessa batida, já fica mais distante do resultado de uma canção que nasça do violão de náilon. Foge dos caminhos do meu violão, que são sempre os mesmos por causa das minhas limitações ao tocar.”

Os “meninos” são Bem Gil e Bruno Di Lullo, que compartilharam instrumentos na turnê de 2018 e nas novas gravações e que ganham a companhia do baterista Rafael Rocha.

Calcanhotto não sabe se continuará com o trio em outros projetos. “Você me pergunta sobre um próximo disco, mas nem tenho ideia se um dia vou fazer um próximo disco. Quem sabe já está bom. Mas projetos diferentes pedem sonoridades diferentes.”

A turnê de “Margem” começa no dia 23 de agosto, em Belo Horizonte, e já tem 13 datas marcadas, ainda sem definição de shows em São Paulo.

Depois ela retorna para Portugal. “Estou vivendo de maneira intensa. Se estou lá, não quero ter saudade daqui. Quando estou aqui, não quero sentir falta de lá. Um pensamento quase budista de viver o presente.”