O vocalista Alírio Netto, que se prepara para vir a Santa Catarina com a banda, conversou com a Itapema

Depois de passar pela América do Norte e Europa, chega ao Brasil e a Santa Catarina The Queen Extravaganza, tributo oficial do Queen, criado pelo baterista Roger Taylor e o guitarrista Brian May, integrantes da formação original da banda inglesa. O espetáculo acontece no dia 26 de maio, na Arena Petry. Além da produção de Taylor e May, que escolheram pessoalmente todos os músicos participantes, o show tem como frontman o catarinense Alírio Netto, escolhido para representar mundo afora a voz de Freddie Mercury. “O fato de ter um sul-americano na banda, um brasileiro, abriu as portas para que o Extravaganza viesse para o Brasil, o que é um sonho meu”, contou o vocalista, em entrevista exclusiva à Itapema. “Toda a equipe do Queen está muito feliz com esse acontecimento. E esse show de Floripa tem um gosto especial para mim, né? Já que eu sou de Floripa, e até minha família vai estar no show.” Confira abaixo a entrevista completa.

Alírio Netto - The Queen Extravaganza

Itapema: O que significa dizer que o Queen Extravaganza é o tributo oficial do Queen? Qual é a relação do Queen Extravaganza com Brian May e Roger Taylor [membros co-fundadores do Queen]?
Alírio: Este é um projeto deles: eles montaram essa banda exatamente para que pudessem ter um tributo deles, coordenado por eles, especialmente na parte musical – havia muitas bandas covers que se preocupavam em imitar os trejeitos dos integrantes, usar roupas parecidas com as que eles vestiam, mas deixavam a desejar na parte da música. O Brian May e o Roger Taylor queriam escolher pessoalmente os músicos que formariam esse tributo, cuja premissa é carregar o legado do Queen através das músicas, mas não imitar ninguém. Eu não “me visto de” Freddie Mercury. A gente tem liberdade para criar em cima da música do Queen, pode colocar a nossa digital nas apresentações. Dois diretores musicais estão no grupo: o Spike [Spike Edney, tecladista que toca também no supergrupo Queen + Adam Lambert] e o Taylor [o percussionista Rufus Tiger Taylor, filho de Roger Taylor, também do Queen + Adam Lambert]. Mas o Brian May e o Roger Taylor também preparam a gente, vão nos ensaios, orientam a gente pessoalmente.

Itapema: A sua seleção também foi feita por eles?
Alírio: Sim. Eles já me conheciam, na verdade: eu fui selecionado para fazer o musical We Will Rock You, criado e produzido por eles, que estava em cartaz em Londres – e chegou a vir ao Brasil em 2016, se não me engano -, onde eu fazia o protagonista. A seleção inicial [para o musical ‘We Will Rock You’] foi por vídeo. Para me oferecer o trabalho no Extravaganza, eles me convidaram para ir a Londres, já que já conheciam meu trabalho com as músicas do Queen.

Itapema: Como você se sente com isso? Como é ter a chance e ao mesmo tempo a responsabilidade de representar a voz de Freddie Mercury em um tributo oficial?
Alírio: É um puto sonho. [risos] Eu perguntei pra eles por que eu fui escolhido, e eles me disseram: “Você conhece as canções, e tem uma energia muito parecida com a de Freddie Mercury, mas ao mesmo tempo tem seu próprio jeito de cantar.” Freddie tinha essa coisa de se entregar às músicas e criar uma comunicação com o público, trazer o público para dentro da banda, fazer com que ele participe do show. Essa sempre foi uma preocupação do Queen, e é algo que nós mantemos nesse trabalho. O que está acontecendo comigo agora é um presente. É muita sorte ter conseguido chegar onde estou e ter a aprovação dos caras que tocaram com o Freddie Mercury para fazer tudo isso. Eu sempre lembro de quando nos encontramos em Londres para os primeiros ensaios e eles me disseram “Bem-vindo à família Queen”. Eles realmente tratam a gente com muito carinho. A primeira vez que eu vi minha foto na página inicial do Queen foi muito emocionante.

Itapema: Como é sua história “pré-Queen”? Como você começou na música? O Queen já era um influência importante para você?
Alírio: Eu entrei na música por causa do Queen. Eu tinha nove anos de idade quando vi o Freddie Mercury cantando pela primeira vez, naquele vídeo icônico do Rock In Rio, de 1985. Meu primeiro concerto importante foi em Floripa, no Teatro do CIC, onde eu cantei uma música do Queen com uma orquestra. Eu tinha 16 anos. Sempre foi minha banda preferida e sempre fez parte da minha vida. Tanto que, quando me apresentaram aquele que seria o repertório da turnê, eu já sabia cantar todas as músicas. [risos]

Itapema: Como é o show, e principalmente, como foi a seleção do repertório, já que o Queen tem tantos hits na discografia?
Alírio: É uma turnê de hits: o repertório é todo baseado nos discos Greatest Hits I e II, que têm os maiores sucessos da banda. Claro que a gente sempre inclui uma ou outra coisinha diferente em cada país, para variar um pouco – aqui no Brasil teremos algumas diferenças em relação ao que foi apresentado nos Estados Unidos e na Europa, por exemplo. Mesmo o show sendo grande, com cerca de trinta músicas, sempre tem alguma canção famosa que fica de fora, porque o Queen tem mesmo muitos hits. Mas existem coisas que não podem ser alteradas. Você não pode fazer um show desses sem apresentar Bohemian Rhapsody. [risos]

Itapema: O que você achou do filme Bohemian Rhapsody e da atuação de Rami Malek como Freddie Mercury? O filme de alguma forma influenciou sua visão a respeito do vocalista ou da banda?
Alírio: Eu conheci o Rami Malek, na verdade. Essa história até é curiosa: eu conheci minha esposa fazendo o We Will Rock You, porque ela também estava no elenco, e nós estávamos em lua-de-mel na Europa quando eu fui chamado para fazer o Extravaganza – e lá, no dia em que eu fui negociar o Extravaganza, estava o Rami. [risos] A gente conversou, trocou uma ideia. Ele é um cara que trabalhou muito duro para conseguir o resultado que conseguiu, e o reconhecimento que ele recebeu foi super merecido. Eu acho que o filme veio para coroar o trabalho de uma banda que, mesmo não sendo impecável sempre, foi verdadeira em todos os momentos. Eu acho que a principal importância do filme é mostrar para uma nova geração o quão essencial e o quão atemporal é a obra dessa banda. A música anda tão pobre ultimamente, que é ótimo saber que esse filme pode mostrar a muita gente que existe mais, que existe uma música que pode nos conectar com sentimentos diferentes, nos tocar de um jeito mais profundo.

Serviço
O quê: The Queen Extravaganza
Quando: 26 de maio, a partir das 19h
Onde: Arena Petry, SC-281, 4000, São José
Telefone: (48) 99168-7221
Quanto: ingressos a partir de R$ 86
Ingressos online: Ingresso Nacional
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