A trama do longa percorre um período de 15 anos turbulentos entre Wiktor e Zula, tendo início no final dos anos 1940, logo após a II Guerra Mundial

Por GaúchaZH

Dirigido e escrito por Pawel Pawlikowski, Guerra Fria concorre a três Oscar – Melhor Filme Estrangeiro, Melhor Fotografia e Melhor Direção – e já rendeu ao cineasta a Palma de Ouro de Melhor Direção em Cannes e um Goya de Melhor Filme Europeu no ano passado.

Pawlikowski já venceu o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro com Ida em 2015. Assim como o longa premiado pela Academia daquele ano, o diretor volta a trabalhar em Guerra Fria com preto e branco e a utilizar o formato 4:3 – proporção de tela que deixa o filme mais quadrado.

Em Guerra Fria, Pawlikowski se inspirou na relação de seus pais, que dão nomes aos protagonistas: Wiktor e Zula. Eles viveram idas e vindas ao longo de 40 anos de relacionamento e morreram em 1989 – pouco antes da queda do Muro de Berlim. No entanto, não é a história dos dois que vemos no filme, embora o cineasta garanta que os personagens principais possuem traços marcantes do casal – como os temperamentos incompatíveis.

A trama de Guerra Fria percorre um período de 15 anos turbulentos entre Wiktor (Tomasz Kot) e Zula (Joanna Kulig), tendo início no final dos anos 1940, logo após a II Guerra Mundial. Em uma Polônia stalinista, Wiktor é um maestro e pianista que coordena uma companhia estatal de dança e música chamada Mazurka, com foco nas tradições camponesas do país. Após selecionar Zula para o grupo, o sereno músico se encanta pelo talento da jovem cantora espevitada. Os dois iniciam um romance às escondidas, com receio da reação das autoridades comunistas.

Fotografia sofisticada faz do filme balé visual

Após conquistar prestígio, a companhia começa a excursionar para outros países do bloco soviético. Contudo, a Mazurka precisa assimilar um repertório de propaganda comunista ao seu repertório regional. O casal planeja uma fuga a Paris, mas Zula refuga no último instante e Wiktor parte sozinho. Em meio à boemia e à efervescência cultural da capital francesa, a música folclórica polonesa dá lugar ao jazz na vida de Wiktor. Como pianista, ele se apresenta em bares e grava trilhas sonoras para o cinema. Embora o casal esteja distante e até se envolva em outros relacionamentos, o reencontro é questão de tempo. Porém, as diferenças de personalidades se realçam: ele quer a liberdade, enquanto Zula é apegada à terra natal e se sente deslocada no Ocidente. As idas e vindas se tornam cíclicas – são 15 anos dolorosos, tendo a Guerra Fria como agravante.

Contando com uma fotografia sofisticada realizada por Lukasz Zal, Pawlikowski conduz a história de Wiktor e Zula em meio a um balé visual, alternando silêncios e sequências musicais dançantes – que envolvem folclore polonês, jazz, chanson francesa e até o rock dos anos 1950, em uma esplendorosa cena de Zula dançando Rock Around The Clock, de Bill Haley & His Comets. Em menos de 90 minutos, o cineasta entrega um romance não convencional sem perder o ritmo ou soar apressado.

Quando o casal contracena, Tomasz é mais contido, enquanto Joanna Kulig desponta em uma performance magnetizante. Mesmo assim, há uma química entre a dupla. Wiktor e Zula são explosivos juntos, mas parecem fadados a uma história de turbulência.

Indicados ao Oscar de melhor filme estrangeiro

Roma (México)

• No México dos anos 1970, doméstica de origem indígena cuida de uma família em transformação. Filme de Alfonso Cuarón para a Netflix.

Cafarnaum (Líbano)

• Menino de 12 anos foge da sua família e vai viver nas ruas depois de a irmã menor ser obrigada a casar. Direção de Nadine Labaki. Em cartaz em Porto Alegre.

Assunto de Família (Japão)

• Os laços de afeto que ligam uma família de golpistas que vive de roubar lojas. Direção de Hirokazu Kore-Eda. Ganhou a Palma de Ouro em Cannes. Em cartaz na Capital.

Nunca Deixe de Lembrar (Alemanha)

•Artista enfrenta as pressões ideológicas da Alemanha Oriental. Retorno a seu país natal do diretor Florian von Donnersmarck. Sem previsão de estreia no Brasil.