Netflix estreia neste domingo com show acústico que o músico americano apresentou em um teatro de Nova York, com sessões esgotadas entre 2017 e 2018

Por GaúchaZH

Springsteen on Broadway, uma performance intimista em que Bruce “The Boss” Springsteen, volta às suas raízes, sozinho no palco próximo de seus fãs, é título do disco lançado nesta sexta-feira (14) em todo o mundo e do show acústico que pode ser visto na plataforma de streaming Netflix a partir deste domingo (16).

Na noite deste sábado (15), no teatro Walter Kerr de Nova York, Springsteen realizará pela 236ª e última vez o espetáculo que começou em outubro de 2017, um dos eventos musicais mais memoráveis da temporada. Os que conseguiram assistir ao recital tiveram que ser rápidos na hora de comprar os ingressos na internet, que custavam entre US$ 75 e US$ 850. Fora da plataforma de venda oficial, a entradas chegou a custar US$ 6 mil cada.

Algo incompreensível para seus fãs, que em muitos casos não podem pagar preços tão altos. O cantor é considerado por muitos “a voz da América”, a dos operários e desamparados, e durante 45 anos criou uma relação única com seu público. Mas os fãs perdoam seu ídolo, que em todas as apresentações evitou a entrada exclusiva para artistas no teatro e parou na porta do local para cumprimentar, tirar fotos e dar autógrafos aos admiradores que não puderam pagar pelo show.

Springsteen também fez uma autocrítica honesta no palco em que subiu de segunda a sexta-feira: “Nunca tive um trabalho duro, nunca trabalhei de 9h às 17h, nem cinco dias por semana, até agora”.

Acostumado a estádios lotados, quando percorria o mundo com sua E Street Band, esta vez Springsteen subiu sozinho ao palco, com seu violão, uma gaita, um piano e, como sempre, uma entrega enorme. A força de Springsteen on Broadway reside em ver o artista se apresentar como um homem simples e contar sua vida. Durante mais de duas horas e meia muito intensas, relembra suas alegrias, tristezas e dúvidas, e revela forças e fraquezas.

O programa inclui 15 clássicos de seu repertório, e Springsteen conta a origem de cada canção, mencionando seu pai — ao mesmo tempo seu “herói e pior inimigo”, como disse ao interpretar My Father’s House, lembrando de sua mãe (“bondade, otimismo, educação e paixão por dançar”) em The Wish e de sua mulher Patti Scialfa, com quem cantava Tougher Than the Rest e Brilliant Disguise.

Faz um desabafo sobre o amor e sobre a infância (Growin ‘Up), reflete sobre Nova Jersey (My Hometown) e revela seus sonhos ao cantar Thunder Road e Born to Run. Também há espaço para os Estados Unidos, país das possibilidades (Land of Hope and Dreams), as marcas do massacre de 11 de setembro (The Rising) e a nação dividida por Donald Trump (The Ghost of Tom Joad). Ou Born in the USA, observando que agora não tem mais motivos para continuar sendo tão incompreendido.

Muitas de suas anedotas estão em sua autobiografia Born to Run, publicada há dois anos, enquanto outras são inéditas. No entanto, Springsteen on Broadway não foi concebido como um prolongamento do livro. O conceito nasceu enquanto ele fazia um show para Barack Obama e membros de seu governo em janeiro de 2017.

Quase dois anos depois, Springsteen se prepara para “retomar seu trabalho de todos os dias”, acaba de anunciar o Times. Em 2019, quando completará 70 anos, se dedicará à gravação de novas músicas.