A primeira turnê do trio chega a Santa Catarina neste final de semana

Em 2002, os Tribalistas estouraram no Brasil todo com seu álbum de estreia – mas o trabalho, apesar do sucesso, não ganhou uma turnê de divulgação, pela dificuldade de conciliar as agendas de Arnaldo Antunes, Marisa Monte e Carlinhos Brown, integrantes do trio. Levou quinze anos para que o grupo lançasse um segundo disco, auto-intitulado como o primeiro – e que, dessa vez, ganhou sim uma tour: os Tribalistas já passaram por diversas cidades brasileiras e por onze pontos na Europa, e se preparam ainda para uma série de apresentações nos Estados Unidos, e para ser um dos headliners do Lollapalooza brasileiro no ano que vem.

Tribalistas

Nesta sexta-feira, dia 14 de dezembro, a Grande Florianópolis vai ter a chance de conferir o espetáculo: o show acontece na Arena Petry, em São José, às 22h. Antes de chegar a Santa Catarina, Arnaldo Antunes conversou com a Itapema sobre a turnê e o momento atual do trio. Confira.

Itapema: Como foi fazer a turnê pela Europa? Como foi a recepção do público?
Arnaldo Antunes: Foi maravilhoso. A gente começou a turnê aqui no Brasil e a receptividade já tinha sido incrível: todo mundo cantando junto, recebendo o nosso show com muito amor. Depois de fazer essa parte do circuito por aqui, a gente foi para a Europa, e aí foi um ritmo mais intenso, porque os shows eram mais próximos um do outro. Fizemos onze cidades em seis países, e parece que o show foi se azeitando na estrada, foi ficando cada vez melhor. O público de cada lugar recebe de um jeito diferente, né? Cada um tem sua empolgação diferente. Mas viajar fazendo shows é maravilhoso – e já fomos compondo coisas novas na estrada. Para mim, fazer essa turnê com Marisa e Carlinhos está sendo a realização de um sonho. Nossa parceria musical vem de muito antes do lançamento do primeiro CD dos Tribalistas, é uma coisa de 25 anos. Então nós estamos celebrando essa história junto com o público.

Itapema: E era uma turnê muito esperada pelo público, desde o primeiro álbum.
Arnaldo Antunes: Pois é! O primeiro disco foi um êxito muito grande, mas não deu para organizarmos a turnê na época – a Marisa estava tendo um filho, nós tivemos dificuldade de conciliar as agendas dos três, então essa expectativa ficou guardada durante todo esse tempo. Mas nós também tínhamos esse desejo com a gente.

Itapema: O que fez vocês perceberem que estava na hora de um novo álbum dos Tribalistas?
Arnaldo Antunes: Foi um processo bastante parecido com o do primeiro CD: naquela época, nós tivemos alguns encontros quando eu fui gravar meu disco Paradeiro, lá na Bahia, e convidei o Carlinhos para fazer a produção. A faixa-título é uma parceria de nós três, então chamamos a Marisa para participar do álbum e cantar comigo. A Marisa foi, e nós começamos a compor loucamente: ela todo dia adiava a passagem de volta dela, e continuávamos compondo. (risos) Quando percebemos, não havia como não registrarmos aquele repertório: parece que foram as músicas que requisitaram que fizéssemos isso juntos. Desta vez foi muito parecido. A gente se encontrou de novo na Bahia, fez um conjunto de canções, e percebeu que elas formavam uma unidade, que cabiam num mesmo disco. Parece que são as canções que mandam, e a gente só obedece. (risos)

Arnaldo Antunes

Itapema: Quais são as semelhanças e as diferenças entre os dois trabalhos?
Arnaldo Antunes: Eu vejo mais semelhanças do que diferenças: vejo um como a extensão do outro. É claro que a gente vive um momento diferente, em todos os sentidos: outro momento político, outro momento do mundo. A tecnologia evoluiu, a maneira de consumir música mudou muito – mas, mesmo assim, a música em si permanece, então eu acho que a sonoridade acaba sendo muito parecida para a gente. É uma identidade sonora que as pessoas já reconhecem como dos Tribalistas, e que é muito forte. No show a gente sente que a passagem das faixas do primeiro álbum para as do segundo acontece com bastante naturalidade.

Itapema: Como os trabalhos individuais de vocês se comunicam com o trabalho dos Tribalistas? O Arnaldo solo e o Arnaldo dos Tribalistas é um artista diferente?
Arnaldo Antunes: Ah, eu acho que é bastante diferente, porque a coisa do grupo acaba puxando coisas que nós não faríamos sozinhos. Eu nunca faria, sozinho, uma música soar como soa com os Tribalistas: tem que ter uma coisa de se entregar para o coletivo. Para mim, isso é um grande prazer: eu comecei nos Titãs, fiz parte da banda durante dez anos, então para mim é muito gostoso ter um grupo, poder criar coisas juntos. Eu acho até que é uma característica da música popular brasileira: os artistas produzem e compõem muito juntos, a gente tem uma tradição de parcerias. E nós estamos exercitando esse convívio musical. Até o jeito de cantar é diferente, o jeito de atuar no palco. Eu aprendi muito gravando com os Tribalistas.

Itapema: Você comentou sobre o momento sócio-político que nós vivemos atualmente, e que obviamente acaba influenciando a produção artística de modo geral. Como você vê o papel dos artistas em um momento tão conturbado da nossa política, em que tudo parece tão extremo, em que as pessoas não parecem querer ouvir o outro?
Arnaldo Antunes: Eu sinto que o papel dos artistas é, de certo modo, “menor” que o papel dos políticos, já que você não consegue transformar diretamente a realidade política ou econômica; mas ao mesmo é até maior, porque é um caminho para tocar e transformar individualmente a sensibilidade das pessoas que entram em contato com a sua obra. Eu vejo nisso uma importância grande. Como músicos e como cidadãos, a gente defende o que acredita: direitos humanos, direitos civis, liberdade de expressão, defesa do meio ambiente, respeito às diferenças em todos os níveis, valorização da educação e da cultura. São valores que eu acredito que sempre devem ser defendidos.

Serviço
Show Tribalistas em São José
Quando: Dia 14/12/2018, sexta-feira, às 22h (abertura da casa às 20h)
Local: Arena Petry (Rodovia SC 281, 4000 – Sertão do Maruim, São José)
Classificação etária: 16 anos. Menores a partir de 12 anos podem entrar acompanhados dos pais e/ou responsáveis legais. Para os setores open bar, não é permitida a entrada de menores de 18 anos.
Bilheteria oficial (sem cobrança de taxa de conveniência): Centro de Eventos Petry (BR 101, Km 193 – Biguaçu, SC), de segunda à sexta, das 09h às 12h e das 13h às 18h. Contato: (48) 3954-2400 ou WhatsApp (48) 99168-7221
Pontos de venda (sujeito a cobrança de taxa de conveniência): Óticas Diniz (Continente Shopping) e Lojas Koerich (Beiramar Shopping, Rua Deodoro no Centro, Rua Presidente Kennedy em Campinas, Rua Marechal Deodoro em Biguaçu)
Vendas online: Site Eventim