Italiano é diretor de filmes consagrados como “Último Tango em Paris” (1972) e “O Último Imperador” (1987)

Por GaúchaZH

Responsável por longas aclamados como Último Tango em Paris, O Último Imperador e Os Sonhadores, o cineasta italiano Bernardo Bertolucci morreu em Roma, nesta segunda-feira (26). O diretor de 77 anos estava em casa no momento do óbito, mas a causa da morte não foi revelada. Segundo o jornal Corriere Della Sera, Bertolucci sofria de uma “longa doença”.

Ao longo de aproximadamente 20 filmes, o cineasta abordou temáticas tanto com teor político quanto promoveu ensaios existenciais.

A seguir, confira 10 filmes essenciais de Bertolucci:

Partner (1968)

Inspirado livremente na novela O Duplo, de Dostoiévski, o filme fala de um jovem professor de teatro, Giacobbe (Pierre Clementi), que passa a conviver com um sósia ou duplo de si mesmo, Giacobbe 2 (Clementi também). Imbuído de ideias políticas revolucionárias e apaixonado por uma moça rica (Stefania Sandrelli), Giacobbe se encontra estagnado pela timidez e pela impotência. Atuando como um desdobramento da sua consciência e do seu desejo, o duplo passa a agir em seu lugar, abordando a moça e instituindo com seus alunos um teatro de rua afinado com o espírito de insurreição que animava os estudantes na época.

A Estratégia da Aranha (1970)

Baseado no conto O Tema do Traidor e do Herói, do escritor argentino Jorge Luis Borges, o filme apresentas imagens surreais, inspiradas no pintor surrealista René Magritte. Na trama, o jovem Athos Magnani (Giulio Brodgi) retorna a sua cidade natal, Tara, a pedido de Draifa (Alida Valli), viúva de seu pai, morto em circunstâncias estranhas há 30 anos. À medida em que Athos investiga o passado de seu progenitor, ele passa a se identificar cada vez mais com seu pai, até se perder em alucinações em que eles são a mesma pessoa.

O Conformista (1971)

O Conformista é um retrato de uma geração que cresceu sob a sombra de Mussolini, deixando-se levar por sua ideologia fascista com a mesma facilidade com que depois a renegaria. No centro da narrativa está Marcello (Jean-Louis Trintignant), um jovem burguês de vida enfadonha – contada em flashbacks ao longo da trama – cujo maior objetivo é ser igual aos outros, seguir o movimento, independentemente de onde ele levá-lo.

Último Tango em Paris (1972)

Uma de suas obras mais celebradas, mas que também provocou grande escândalo por uma de suas cenas. No filme, um americano chamado Paul (Marlon Brando), cuja esposa cometeu suicídio, conhece uma jovem, Jeanne (Maria Schneider). Os dois iniciam um relacionamento sexual prolongado, mas anônimo, no qual sequer dizem seus nomes. Contudo, os acontecimentos vão fugindo do controle de ambos.

Em 2016, o filme voltou a ser assunto em razão de declarações que Bernardo Bertolucci deu em 2013 e que ressurgiram no YouTube. A razão da polêmica está no comentário do cineasta italiano sobre a famosa “cena da manteiga”, na qual o personagem de Marlon Brando (1924 – 2004), então com 48 anos, sodomiza a jovem interpretada por Maria Schneider (1952 – 2011), com 19. Bertolucci afirma, no depoimento, não se arrepender da decisão no set:

– Não disse a ela o que estava acontecendo porque queria sua reação como uma garota e não como uma atriz. Sinto-me culpado, mas não me arrependo. Não queria que Maria interpretasse a raiva e a humilhação; queria que sentisse a raiva e humilhação.

1900 (1976)

Com mais de cinco horas de duração, o filme busca retratar o cenário europeu durante as duas grandes guerras, a ascensão do nazismo, fascismo e comunismo. A história começa na Itália do início do século XX, onde dois amigos de infância se tornam inimigos devido a posições políticas distintas. Em um dos lados está Olmo Dalcò (Gérard Depardieu), um camponês, trabalhador, politicamente consciente. Do outro, Alfredo Berlinghieri (Robert De Niro), filho de proprietários de terra, reacionário, que não precisa trabalhar e está encantado pela ascensão do fascismo.

La Luna (1979)

Sensível longa de Bertolucci sobre a relação entre uma mãe e seu filho problemático. A questão central da trama é a ausência da mulher, uma diva da ópera norte-americana, e sua tentativa de se reaproximar do garoto – terá sido tarde demais? Afeito a temas polêmicos, o cineasta flerta aqui com o incesto. Mas o filme é bem mais do que isso.

O Último Imperador (1987)

Filme sobre o último imperador da China, que recebeu nove estatuetas na cerimônia do Oscar, incluindo melhor filme, melhor roteiro e melhor diretor (até hoje é o único cineasta italiano a vencer nas três categorias). O longa conta a saga de Pu Yi (John Lone), declarado imperador quando ainda era criança, vivendo enclausurado na Cidade Proibida, sem contato com o mundo exterior, até ser deposto pela Revolução Xinhai.

O Céu que nos Protege (1990)

Baseado no livro autobiográfico de Paul Bowles, a trama acompanha um casal de intelectuais de Nova York, Port Moresby (John Malkovich) e Katherine “Kit” Moresby (Debra Winger), que viaja para a África logo após o final da Segunda Guerra Mundial. Eles esperam viver novas experiências, capazes de preencher o vazio de suas vidas e revitalizar seu relacionamento, que parece prestes a chegar ao fim.

Beleza Roubada (1996)

Lucy (Liv Tyler) decide viajar para a região da Toscana, na Itália, para conhecer os amigos de sua mãe, que cometeu suicídio. A jovem usa a confecção de um retrato como pretexto para ficar na casa dos tios, mas seu verdadeiro desejo é reencontrar o rapaz em que deu seu primeiro beijo, anos atrás. Entretanto, a beleza exuberante da protagonista, apesar de toda sua inocência, afeta a vida de todos ao seu redor.

Os Sonhadores (2003)

Ambientado em Paris durante os protestos de maio de 1968, o filme gira em torno da intensa relação do estudante americano Matthew (Michael Pitt) com o casal de irmãos Isabelle (Eva Green) e Theo (Louis Garrel). O amor pelos filmes é o que aproxima os três, mas o desejo e a paixão estreitam o relacionamento entre o tímido estrangeiro e os jovens franceses libertários.