Músico explicou qual era a ideia das projeções durante a performance que causou polêmica nas redes sociais

Por GaúchaZH

O ex-integrante do Pink Floyd, Roger Waters, se pronunciou a respeito da polêmica que causou em suas apresentações no Brasil. Durante o show em São Paulo, o artista projetou os dizeres “Ele não” e também citou o candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL) como um dos neofascistas ao redor do mundo. As projeções causaram discussões nas redes sociais e Waters, em entrevista ao Fantástico (RBS TV), disse que as situações tiveram duas percepções “interessantes”.

O músico disse que a projeção de “Ele Não” ocorreu em um momento errado. Os dizeres foram exibidos durante a performance da música Eclipse e a ideia original, segundo Waters, era incluir a frase em outro momento, ao longo da apresentação da música Mother, durante a frase “mãe, devo confiar no governo?” que teria a resposta “ele não”:

— Desta forma faria sentido, mas colocar no meio de Eclipse foi um erro do meu time. Aquela parte da música era para aparecer pirâmides, lasers coloridos, estávamos amando uns aos outros, no fim é o clímax da jornada longa que atravessamos. Foi totalmente inapropriado, se eu pudesse dizer.

A partir disso, ele conta que a hashtag não foi utilizada na segunda apresentação, no dia seguinte.

Waters, no entanto, ficou surpreso a respeito da inclusão do nome do presidenciável Bolsonaro na lista dos neofascistas:

– Na primeira noite, eu não soube o que tinha aparecido no telão, achei que todos aplaudiriam, pois era isso que deveria acontecer. Naquele momento, em todos os lugares que tocamos no mundo todo, todos ficam tão contentes nesta parte [da lista dos neofascistas] que eles aplaudem. Aí me perguntei: o que está acontecendo?

O artista, que está no país com a turnê Is This the Life We Really Want?, falou que a polarização aconteceu diversas vezes em suas apresentações. Ele frisa, no entanto, que a luta não deveria ser entre o público presente, e sim contra os poderosos:

— Eles são os inimigos, eles são quem deveríamos lutar contra, não entre nós. Isso é o que eles, os poderosos, querem. Que lutemos entre nós, porque enquanto lutamos entre nós, não focamos no nosso verdadeiro problema — acredita.

Mesmo com toda a polêmica, Waters aponta que todos os artistas precisam defender os direitos humanos:

—Não importa qual tipo de arte que façam, todos têm responsabilidades de usar a arte para expressar ideias politicas e criar demandas a fazer dos direitos humanos para todos — finaliza.