Girl with Balloon, do grafiteiro Banksy, se autodestruiu após ser leiloado por quase R$ 5 milhões

Aconteceu na começo deste mês: um trabalho do artista britânico Banksy se autodestruiu logo após ser leiloado pelo equivalente a quase R$ 5 milhões. Alguns já dizem que o trabalho do grafiteiro (que é, aliás, uma figura tão célebre quanto enigmática no mundo das artes: não se sabe quase nada a respeito de sua identidade) vai ganhar ainda mais valor através da autodestruição – mas existem outras obras que, por iniciativa dos autores, foram condenadas a ser parcial ou totalmente destruídas, até mesmo deixando de ser comercializáveis. Abaixo você conhece algumas delas.

Destruição por fogo

É o caso do coletivo francês Claire Fontaine, que produz esculturas e instalações. Desde 2011, o grupo apresenta uma série de instalações chamada burnt/unburnt (algo como “queimado/não queimado”): são mapas de países como França, Itália, Estados Unidos e Espanha, diretamente instalados em paredes. Durante a exposição, um membro do coletivo dispara os fósforos na parte inferior do trabalho com um maçarico: permanece apenas o contorno preto do país na parede, além de restos de fósforos queimados. Através desta performance, Claire Fontaine materializa a crise que assola diversos países.

E nem sempre a brincadeira dá certo: em 2013, na Queen’s Nail Gallery, de São Francisco, o incêndio destruiu parte da parede e do teto: o grupo precisou pagar quase US$ 5 mil para reparos no local.

Destruição por roubo

Aqui, a autora é a espanhola Dora Garcia, artista que trabalha com vídeos, performances e também escrita. Em 2009, Garcia apresentou no Centre Pompidou o livro Steal This Book – ou seja, “roube este livro”. Durante uma exposição, vários livros foram colocados em uma mesa de centro, com as palavras “roube este livro” na capa. Aprendemos a não roubar nada de museus, o que cria uma situação complicada – e provocativa. O prefácio também encoraja o público a roubar. “Pegue este livro, coloque-o no bolso, na sua bolsa, e vá embora.” Claro, os livros foram roubados, e o trabalho desapareceu. Para a artista, o trabalho é político e celebra a cultura da gratuidade, e, portanto, a especulação da arte.

Steal This Book

Destruição por armadilha

Há também o caso de Cyprien Gaillard, artista francês que trabalha com fotografia, instalação e vídeo. Nascido em 1980, Gaillard gosta de trabalhar nas ruínas, nas civilizações perdidas. Em 2011, o artista criou uma instalação no KW Institute, em Berlim: uma pirâmide de pacotes de cerveja – 72 mil cervejas, para ser exato. O público era convidado a escalar a pirâmide, e até mesmo se servir, consumir as cervejas, jogar as garrafas no chão – e o trabalho aos poucos é destruído. Com a ajuda do álcool, no dia seguinte, permanece na sala apenas uma pilha de ruínas.

Mas então, por que se dar o trabalho? De acordo com Gaillard, a obra incorpora o colonialismo turístico: o fato de mover obras arquitetônicas de seu local de origem para colocá-las em museus, incluindo o Grande Altar de Pérgamo, arrancado de sua terra natal e apresentado no mesmo museu em Berlim.

Créditos: Radio Nova