No próximo dia 20, a cantora apresenta o show A Mulher do Fim do Mundo em Florianópolis

Aos 80 anos, e com mais de 60 de carreira, Elza Soares está mais ativa do que nunca – e vivendo uma das melhores fases da vida: em turnê nacional e internacional com o premiado álbum A Mulher do Fim do Mundo, a artista acaba de lançar uma badalada parceria com a cantora Pitty, e se prepara para trazer seu show a Florianópolis – cidade que Elza conta visitar com frequência, por ter amigos por aqui. Ao mesmo tempo simpática e sucinta, a cantora conversou com a Itapema sobre seus trabalhos e a fase atual da carreira. Confira:

Itapema: Como está sendo a turnê de A Mulher do Fim do Mundo? Como o show é estruturado e como foi a seleção das músicas?
Elza Soares: O show está sendo um escândalo. Ontem mesmo cheguei de Nova York. É um show muito bem estruturado, muito bonito, que está fazendo sucesso pelo mundo. O repertório foi selecionado de acordo com temas que eu queria abordar: queria falar das mulheres, de drogas, do mundo gay, da juventude. Então escolhi músicas que falam disso.

Itapema: Aliás, nessa viagem a Nova York você levou um susto no avião, na ida, não? O que passou pela sua cabeça naquele momento? [o avião em que Elza estava precisou voltar ao aeroporto duas horas depois da decolagem, por problemas em uma das turbinas]
Elza Soares: Ah, dá um susto em todo mundo, né? Você está lá em cima, e de repente o comandante avisa que está tendo um problema – imagina? Todo mundo fica assustado. Mas nessa hora não rola nada pela cabeça. Fiquei meio paralisada, não pensei em nada.

Itapema: Você falou que o repertório de seu show é bem engajado, bem combativo – e o próprio disco A Mulher do Fim do Mundo é assim. Esse tom do álbum foi proposital, ou foi uma coisa que surgiu naturalmente?
Elza Soares: Foi proposital. Eu queria falar sobre esses assuntos. Os compositores sabiam que esses eram temas que eu queria abordar, então trabalharam os temas nas canções. Eu tive a felicidade é desses assuntos e das músicas terem caído no gosto das pessoas e virado sucesso.

Itapema: Eu queria que você falasse um pouco sobre Na Pele, sua música com Pitty. Como rolou a parceria e como foi a gravação? Qual é a mensagem da canção?
Elza Soares: A Pitty fez uma música para mim – a música fala basicamente da minha vida. Ela me enviou e falou “faça o que quiser com essa música”; ela disse que eu podia usar em um álbum se quisesse, em um show… Mas eu achei que devíamos gravar juntas, e foi maravilhoso. Eu acho que ela tem uma mensagem otimista. Fala sobre acreditar sempre, em si mesma, no que você já fez e no que está fazendo.

Itapema: Sendo uma mulher negra, já tendo passado por tantas dificuldades na vida, e agora com um álbum que trata justamente desses temas tão em voga hoje em dia, você diria que o mundo está aos poucos ficando menos conservador? As coisas estão melhorando para as minorias?
Elza Soares: O mundo está um pouco mais liberal com algumas coisas, mas eu acho que é muito chato a gente ainda ter que ficar batendo nessas teclas, em pleno século XXI. A gente ainda tem que cantar sobre isso, falar sobre isso, para conseguir algum tipo de liberdade. Então ainda há muita para coisa para melhorar, sim.

Itapema: Como é estar vivendo, com 60 anos de carreira, uma fase tão boa?
Elza Soares: Eu nem sei o que dizer. Só “muito obrigada, meu Deus”. E obrigada ao público, obrigada a vocês por compreenderem e apoiarem esse trabalho. Eu me sinto muito viva e maravilhosamente bem.

Itapema: Quais são os planos para o futuro, depois de um sucesso tão estrondoso? Você chega a pensar em algum tipo de aposentadoria?
Elza Soares: Aposentadoria não. Nada disso. Mas eu tenho consciência de que vai ser difícil conseguir um trabalho de tanto sucesso quanto A Mulher do Fim do Mundo. Tenho que ter isso em mente quando for continuar.

Serviço
Elza Soares em Florianópolis
Quando: Dia 20 de agosto, domingo, às 20h
Onde: Centro de Cultura e Eventos da UFSC
Ingressos: Loja e site Blueticket
Produção: Orth Produções