A banda está celebrando as duas décadas do disco OK Computer

OK Computer, o álbum que tornou o Radiohead um sucesso global, está completando vinte anos de lançamento – e o site Pitchfork decidiu comemorar de uma maneira criativa: convidou 12 artistas para criar interpretações visuais para cada uma das 12 canções do disco. Confira:

Airbag, por Mario Hugo

airbag

“Eu queria criar algo que fizesse referência tanto à vida quanto à morte – quase parece O Grito, do Munch. Há algo penetrante aqui, um pouco enigmático e sombrio, mas o retrato em si é um tanto inocente, quase ingênuo. A poeira estelar está gravada tanto no ambiente quanto na face, quase como se eles estivessem consumindo um ao outro.”

Paranoid Android, por Erik Carter

paranoid

“Enquanto eu pesquisava a respeito dessa música, eu descobri uma história sobre como a letra foi inspirada por um incidente em que [o vocalista] Thom Yorke viu alguém derrubar um drinque em uma mulher em um bar, e ela reagiu com violência. ‘Havia um olhar nos olhos desse mulher que eu nunca vi antes em qualquer outra pessoa’, ele disse. ‘Eu não consegui dormir à noite por causa disso’. Eu tentei imaginar aquele olhar.”

Subterranean Homesick Alien, por Sally Thurer

subterranean

“O narrador desta canção pinta a vida na terra como sintética e a viagem espacial como esclarecedora, porque ver a Terra à distância coloca suas ansiedades em perspectiva – então eu queria que minha ilustração focasse a ligação entre o espaço manufaturado e metafísico. O pavimento rachado é o material de que o mundo está abrindo mão em favor da verdade espiritual, do céu.”

Exit Music (for a Film), por Lala Abaddon

exit

“Para mim, esta é a faixa mais sombria de OK Computer, mas ela também tem uma luxúria sufocante. Essa dicotomia é representada pela fluidez e distorção da minha composição, que envolve o subconsciente, uma paisagem surrealista e uma nudez abstrata.”

Let Down, por Doug John Miller

let down

“Como um comentário sobre a globalização e a solidão sombria da vida moderna, Let Down tem um sentimento particulamente espacial, então eu escolhi explorar as paisagens urbanas, etéreas e mundanas ao mesmo tempo. Eu ilustrei a música através das lentes de uma ‘lobotomia estrutural’, um termo cunhado pelo arquiteto Rem Koolhaas. Eu queria observar uma cena que você não pode tocar.”

Karma Police, por Maren Karlson

karma

“Essa peça representa a ideia de uma entidade imortal, poderosa, onisciente, que nos assombra, que vê todas as direções erradas que seguimos em nossa jornada através de nosso próprio labirinto de erros e ignorância. Nós estamos eternamente nos transformando, e jamais seremos perfeitos. Nós estamos sempre a um segundo de sermos pegos.”

Fitter Happier, por Max Guther

fitter

“‘Melhore a si mesmo’ é o slogan da sociedade moderna, mas, se nós não permitirmos a nós mesmos descansar e cometer erros, nós estaremos para sempre apenas perdendo tempo.”

Electioneering, por Camilo Medina

election

Electioneering me faz pensar em um político viajando pelo país, dizendo o que as pessoas querem ouvir – mas essas mesmas pessoas vão se ferrar por causa desses indivíduos que são guiados apenas pela ganância e por sua sede de poder. É um sentimento especialmente forte em mim agora.”

Climbing Up The Walls, por Jesse Draxler

climbing

“O termo ‘climbing up the walls’ [algo como ‘subindo pelas paredes’] significa agitação por meio de medo, ansiedade, stress – é como ser atormentado por demônios interiores. O monstro e sua vítima. A assombração de si mesmo, por si mesmo.”

No Surprises, por Sonnenzimmer

surprises

No Surprises é uma espécie de canção de ninar sombria para um ser humano arcaico. Nós queríamos que a nossa interpretação da canção capturasse esse som luxuriante que fica entre o conforto e o desespero – um equilíbrio trágico quase impossível.”

Lucky, por Geriko (Hélène Jeudy & Antoine Caëcke)

lucky

“Nós ouvimos Lucky como um aviso vindo dos anos 1990, um sonho premonitório das décadas que estavam por vir. Nós reutilizamos os símbolos da canção para sonhar o resultado deste sonho: as vítimas têm seus olhos totalmente abertos, os sobreviventes estão cegos.”

The Tourist, por Wang & Söderström

tourist

“Esta faixa conta uma história metafórica a respeito de uma jornada onde não se sabe mais o destino – o objetivo desapareceu em uma busca frenética. É sobre ir rápido demais e acabar perdendo as partes mais importantes. Desacelere, e o caminho vai se revelar por si mesmo.”