Rock trabalhou com artistas como David Bowie, Queen, Blondie, Lou Reed e Iggy Pop

SHOT! The Psycho-Spiritual Mantra of Rock é um novo documentário, focado no trabalho de um dos mais influentes fotógrafos do rock: Mick Rock (o nome, por incrível que pareça, não é artístico: é de batismo). Registrando imagens icônicas de David Bowie, Queen, Blondie, Lou Reed e Iggy Pop (algumas delas usadas como capas de discos igualmente icônicos, como Transformer, Raw Power e Queen II), ele ajudou a desenhar a aura em torno do glam rock e do punk; e, depois de um hiato – causado pelo uso excessivo de drogas -, voltou à ativa registrando nomes como Snoop Dogg e Father John Misty. Dirigido por Barnaby Clay, e apresentado pelo próprio Rock, o filme estreou nos Estados Unidos no último dia 7, e traz também gravações de conversas entre o fotógrafo e gente como Bowie e Reed, além de um verdadeiro registro do mundo do glam, da psicodelia, do punk e das drogas – Matt Holzman, da rádio KCRW, definiu o documentário da seguinte maneira: “Muitos filmes sobre rock’n’roll não são muito rock’n’roll, mas este é, além de ser bastante artístico.”

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Rock, que está com 69 anos de idade, guia o filme com um humor irônico e por vezes ácido – suas descrições das bandas e artistas retratados são impagáveis: ele diz que, mesmo antes de o Queen estourar, Freddie Mercury “já se apresentada no Coliseu em sua mente”; que os Ramones eram “a banda mais feia em cena”; que Iggy Pop “se parecia com uma maldita iguana”; e que Debbie Harry era tão linda que “você não conseguia tirar uma foto ruim dela”. Ele também narra histórias do making of de suas fotos – como quando revela que determinada pose de Freddie Mercury na capa de um álbum foi inspirada em uma foto de Marlene Dietrich em O Expresso de Xangai.

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O fotógrafo também não tem pudores em falar sobre seus próprios problemas com drogas: “Eu estava tão apaixonado por cocaína… Eu lembro de ter ficado sem dormir por sete dias”, conta. Seus hábitos acabaram fazendo com que Rock sofresse três ataques cardíacos quando estava na casa dos 40 anos de idade, o que o obrigou a passar por uma cirurgia e mudar seu estilo de vida – para permanecer na ativa até hoje, trabalhando com artistas contemporâneos como Father John Misty. “Eu não quero capturar a sua alma”, Rock diz, a respeito do que busca quando registra uma fotografia. “É da sua aura que eu estou atrás.”

A informação oficial é de que o documentário deve estrear no Brasil “em breve” – mas ainda sem data exata confirmada.