A narrativa aborda um tema urgente e polêmico: a exploração sexual e o tráfico interno de meninas em Fortaleza durante a Copa do Mundo

Na véspera da estrai da Copa do Mundo no Brasil, a Agência Pública lança a HQ Meninas em Jogo, uma reportagem investigativa sobre a exploração sexual e o tráfico interno de meninas em Fortaleza durante o evento. A HQ foi uma das propostas de reportagem vencedoras do Concurso Tim Lopes de Jornalismo Investigativo em 2013 e é a primeira reportagem feita totalmente em quadrinhos pela Agência Pública. Meninas em Jogo está disponível na íntegra neste link.

Com ilustração do quadrinista De Maio e reportagem da repórter Andrea Dip, a pauta surgiu a partir de denúncias de que meninas estavam sendo aliciadas em alguns municípios do Ceará para exploração sexual em Fortaleza durante a Copa do Mundo. Ao todo, foram três meses visitando Fortaleza, Canoa Quabrada e São Gonçalo do Amarante (CE); entrevistando especialistas, fontes oficiais, moradores, representantes da CUFA (Central Única de Favelas) e de algumas comunidades, meninas abrigadas e mulheres adultas em situação de prostituição. O resultado é uma reportagem distribuída em cinco capítulos, que mostram histórias de diferentes mulheres e revelam a existência de uma grande teia de exploração sexual de meninas, além do registro do despreparo e da falta de estrutura dos órgãos oficiais para lidar com a ameaça de abuso sexual. “Nosso objetivo é buscar novas formas de fazer jornalismo, para que histórias tão importantes quanto essas cheguem ao máximo de pessoas possível”, afirma Natalia Viana, codiretora da Agência Pública. “É nossa missão como agência de reportagens investigativas.”

Pioneira do Brasil, a Agência Pública aposta num modelo de jornalismo sem fins lucrativos para manter a independência. Fundada em 2011, tem todas as suas reportagens livremente reproduzidas por diversos veículos, sob a licença creative commons. Atualmente, a Pública conta com mais de 50 republicadores no Brasil e no exterior. A Agência tem atualmente três eixos investigativos principais: os preparativos para a Copa do Mundo de 2014; megainvestimentos na Amazônia; e a ditadura militar. Além de produzir, a Pública atua para promover o jornalismo investigativo independente, através de programas de mentorias para jovens jornalistas e bolsas de reportagem. “Para nós, o jornalismo não está em crise: está em renovação”, diz Natalia. “A Pública acredita na reportagem e no repórter.”