Talvez a principal manifestação cultural brasileira, o samba está entre nós, da forma como o conhecemos, desde o início do século XX. Derivado de um tipo de dança com raízes africanas, o samba atual começou a tomar forma no Recôncavo Baiano, onde surgiu o famoso samba de roda: frases melódicas e refrões de criação anônima e coletiva, que passaram de roda para roda, cidade para cidade, e foram aos poucos popularizando o estilo. Por muito tempo, diversas formas de algo que era chamado de samba – danças populares regionais que se originaram do batuque – conviveram no Brasil, cada uma em seu respectivo estado: Bahia, Maranhão, Minas Gerais, Pernambuco, São Paulo… Mas o samba, como gênero musical, é entendido como uma expressão musical urbana do Rio de Janeiro – chegou à então capital do Brasil Imperial na segunda metade do século XIX, levado por negros oriundos do sertão baiano.

No Rio, a dança dos escravos libertos incorporou outros gêneros musicais, mais populares entre os cariocas, como a polca, o maxixe, o lundu e o xote; e foi adquirindo personalidade própria ao longo das primeiras décadas do século XX. Pelo Telefone, considerado o primeiro samba a ser gravado no Brasil, foi registrado em disco em 1916, no próprio Rio de Janeiro, e se tornou um sucesso, ajudando a popularizar o ritmo musical. Gradualmente propagado por todo o país, o samba foi alçado à símbolo da identidade nacional brasileira na década de 1930.

samba

Existem várias versões acerca do nascimento do termo “samba”. Uma delas afirma ser originário do termo “zambra” ou “zamba”, oriundo da língua árabe; outra diz que a palavra vem de uma das muitas línguas africanas, possivelmente do quimbundo, onde “sam” significa “dar”, e “ba”, “receber”. Ainda há uma versão que diz que a palavra samba vem de outra palavra africana, “semba”, que significa “umbigada”. Um dos registros mais antigos da palavra aparece na revista pernambucana O Carapuceiro, em fevereiro de 1838, quando Frei Miguel do Sacramento Lopes Gama escreve contra o que chamou de “samba d’almocreve” – ou seja, não se referindo ao futuro gênero musical, mas sim a um tipo de folguedo, uma dança dramática popular entre os negros na época.

Tradicionalmente, o samba é tocado por instrumentos de corda – cavaquinho e vários tipos de violão – e variados instrumentos de percussão, como o pandeiro, o surdo e o tamborim. Com o passar dos anos, outros instrumentos foram sendo assimilados, e surgiram novas vertentes oriundas dessa base: o samba de breque, o samba-canção, a bossa nova, o samba-rock, o pagode, entre outras. Em 2005, o samba de roda se tornou um Patrimônio da Humanidade da Unesco.

Em 2 de dezembro, comemora-se o Dia Nacional do Samba! A data comemorativa foi estabelecida por iniciativa de Luis Monteiro da Costa, um vereador baiano, para homenagear a data em que o músico Ary Barroso – que na época já tinha composto seu sucesso Na Baixa do Sapateiro – visitou Salvador pela primeira vez. O que seria uma celebração local foi aos poucos se espalhando pelo país, até virar uma comemoração nacional – mais ou menos como aconteceu com o próprio samba.

Que tal comemorar ouvindo o pioneiro samba Pelo Telefone? 🙂

por Marina Lopes
Itapema FM SC