Aquela expressão “nadar e morrer na praia” não existe por acaso. Claro que ela também pode se referir a ocasiões em que um plano estava indo super bem até a reta final, e aí, de repente, ops, não deu mais certo – mas ela também é usada para indicar uma situação em que a própria pessoa desistiu quando já estava bem perto de alcançar seu objetivo. E quantas vezes isso acontece, não é mesmo? Colocamos um esforço enorme em um determinado empreendimento; e, sabe-se lá por quê, perdemos o gás em um certo momento – geralmente, quando só mais um pouquinho desse gás teria garantido a vitória, o sonho finalmente transformado em realidade.

pessoa nadando

É claro que muitas vezes o fazemos por desgaste – cansaço verdadeiro, ou simplesmente saco cheio, de ficar insistindo naquilo. E esse desgaste não é drama: é real e difícil de ignorar. Pode ser que você enjoe do cardápio da dieta depois de três meses comendo mais ou menos a mesma coisa, e não consiga mais resistir ao pãozinho e à macarronada. Pode ser que você não aguente mais passar seis ou oito horas por dia estudando para o vestibular ou o concurso, depois de quase um ano fazendo isso. Pode ser que seu corpo dê um basta na semana antes daquela maratona, exausto dos seis meses que você passou acordando às cinco da manhã para correr. Pode ser que seu cérebro simplesmente não consiga mais focar nas aulas da faculdade, agora que você está no penúltimo semestre – e, ironicamente, precisando do maldito foco para escrever o TCC. Pode ser que você declare que chega, não vai mais bancar os prejuízos daquele negócio que decidiu abrir – sem saber que mês que vem seria justamente aquele em que o lucro começaria a entrar.

Às vezes esse cansaço se mostra até mesmo nas coisas mais simples: a semana antes das férias não parece a mais longa do ano? Caramba, eu estou exausta. Estou mesmo precisando de férias. Ainda bem que consegui marcar para agora. Não ia aguentar nem mais meio mês nesse ritmo. (e provavelmente ia: se não estivesse de férias marcadas, talvez você nem estivesse sentindo essa exaustão toda)

Eu não estou dizendo que algumas coisas não merecem ser largadas pela metade: acho que descobrir a hora de let it go, como diria a Elsa, faz parte do processo de amadurecimento – e como é bom se livrar daquele peso nos ombros causado por certas responsabilidades que não faziam mais sentido para você! Mas às vezes, quando você já investiu tanto tempo, esforço e às vezes até dinheiro em certo objetivo, vale a pena respirar fundo e continuar – ainda mais se é uma coisa que você quer demais, uma coisa que faz seu coração acelerar e seus olhos brilharem (perdão pelo clichê). Uma vez eu li que, se você ainda pensa todos os dias em alguma coisa, vale a pena tentar de novo.

Então respira fundo e vai. Só mais um dia. Só mais um pouquinho.

Eu tenho certeza de que vai valer a pena.