Eu não gosto de falar sobre meus planos para muita gente – no máximo minha mãe, minha irmã, meu namorado; algumas pessoas próximas com quem eu possa dividir a empolgação e as possíveis angústias de fazer esses planos. Mas sou dessas que só sai espalhando para o mundo quando a coisa já é fato concreto: “comprei um carro”, não “estou pensando em comprar um carro”; “passei no processo seletivo”, e não “estou pensando em me inscrever”.

Tenho alguns motivos. De modo geral, confesso, eu não gosto muito de ter gente me questionando – perguntando se eu já fiz tal coisa, ou quando vou fazer, ou como estão os preparativos para isso e aquilo. Dependendo, eu fico até meio nervosa: gente me desejando “boa sorte” na prova ou na entrevista me deixa mais ansiosa do que se ninguém falasse absolutamente nada. Para algumas pessoas eu não conto por pura certeza de que elas vão querer se meter no meu plano: tentar me convencer a fazer de outro jeito, ou dizer que eu não devia estar perdendo tempo com isso. E também rola, é verdade, um certo medo de não corresponder a uma expectativa estabelecida por mim mesma ao falar sobre um sonho ou vontade: se eu não passar no processo seletivo, contar não vai ser assim tão legal…

mau-olhado

Mas eu conheço gente que esconde seus planos até o último minuto por outro motivo: medo de que “entre areia”, como dizem por aí. Porque muita gente acredita que pessoas invejosas, que secretamente não querem ver os outros felizes (e como existe gente assim, não é mesmo?), têm o poder de, com a força do chamado “mau-olhado”, fazer os planos alheios darem errado. Sua negatividade seria tão potente que o sentimento ruim surgido ao saber dos sonhos de outra pessoa poderia fazer tudo ir por água abaixo – seja uma viagem, um namoro, uma prova, uma vaga de emprego. Tem gente que bota nos outros até a culpa pela torneira da pia ter estragado, pelo cabelo estar caindo, pela unha ter quebrado. Tem gente que se arrepia de medo ao ouvir um elogio – e se for inveja disfarçada?

Na boa: será que não é melhor você parar de culpar a suposta inveja alheia pelas coisas que dão errado na sua vida – e focar em se organizar melhor, gastar menos dinheiro, cuidar melhor do seu relacionamento, usar menos força na hora de mexer na torneira, comer mais espinafre e fígado para fortalecer os cabelos e as unhas? Culpar os outros – seja de forma direta ou então assim, mais “mística” – é sempre, de fato, mais fácil, mais confortável. Mas não costuma ser muito eficiente. Pode testar: eu aposto que estudar mais horas por dia para a próxima avaliação vai garantir um resultado melhor do que comprar uma muda de espada-de-são-jorge e deixar no meio da sala.

Afinal, se você acredita mesmo que essa troca de energias entre as pessoas pode ter resultados tão concretos, também precisa acreditar na sua própria energia: sua positividade, sua força, e a proteção das pessoas que te amam e te querem bem, precisa ser maior e mais poderosa que essa inveja mesquinha pela qual você diz ser tão afetado. Não prestar atenção na negatividade é equivalente a ter o corpo fechado contra esse tipo de influência. Mau-olhado, dizem, só pega em quem acredita. E nessa frase eu acredito – no mau olhado, não.