Uma vez o assunto da conversa era: você gosta ou detesta encontrar conhecidos pela rua? Não estou falando de amigos: estou falando de conhecidos, aqueles com quem você não tem tanta intimidade assim, mas sabe o nome e tem uma ou outra rotina em comum – talvez o curso de idiomas, talvez a academia. A melhor definição, eu acho, eu ouvi da minha irmã: na verdade eles são os “semi-conhecidos”. Pessoas de quem você sabe o rosto e o nome, mas, pensando bem, não sabe muita coisa além disso. Eles estão numa zona cinzenta, em que você os conhece bem o suficiente para que ignorá-los se torne falta de educação; mas iniciar uma conversa seja algo meio penoso – que assunto você pode ter com aquela pessoa a respeito de quem sabe tão pouco?

small talk

Tem quem adore esses encontros ao acaso: quem sabe você não engata um assunto para matar tempo na fila do ônibus, do banco, do supermercado? Quem sabe até acabe descobrindo que aquela pessoa é mais legal do que você esperava. Quem sabe ela não passa de conhecido a amigo? Mas também tem quem deteste – e, perdão pela antipatia, mas cada vez mais eu sinto que me encaixo nesse segundo grupo. O problema de topar por aí com um semi-conhecido é que a conversa dificilmente supera o chamado small talk: assuntos banais, pelos quais no fundo nenhum de vocês se interessa, e que só servem para preencher aquele silêncio esquisito que fica depois do cumprimento. “Será que chove?”, se o tempo estiver meio suspeito. “Finalmente sexta-feira, hein?”, se for um colega de trabalho (da mesma empresa, mas talvez de outro setor, com quem você nunca dividiu a mesa no horário de almoço) e bom, se realmente for sexta-feira. “E o fulano, tem visto?”, se vocês tiverem outro conhecido (ou semi-conhecido) em comum. “O que você anda fazendo?”, se há tempos vocês não se veem. E, claro, os clássicos: “Ainda tá lá?”, bastante útil para quando você não se lembra muito bem onde a pessoa trabalha ou o que faz da vida; e “Vamos marcar!”, para quando é um antigo amigo, de quem talvez você já tenha sido próximo, mas para quem agora você não liga tanto assim, não.

small talk

Eu não gosto de small talk. Frequentemente esse small talk vai interromper minha leitura (porque, quando estou em qualquer fila ou esperando qualquer coisa, eu automaticamente pego meu livro na mochila) – e, bom, eu prefiro mil vezes a leitura. Vai me fazer remover e guardar meus fones de ouvido. Vai me deixar angustiada caso o assunto morra – não é engraçado como é constrangedor ficar em silêncio na presença de alguém com quem não temos intimidade? Na companhia de familiares, amigos de verdade, namorados, o silêncio não é incômodo algum.

Assim como os semi-conhecidos estão em um meio-termo entre conhecidos e completos estranhos, eu acho que o ideal é uma atitude meio-termo: por favor, cumprimente, mas não pare para conversar. Dê oi, pergunte se está tudo bem, mas não puxe assunto sobre o tempo ou o jogo de futebol de ontem – eu nem assisto futebol, pelo amor de deus. E, se eu estiver de fones de ouvido e livro aberto no colo, o sinal é claro: só um aceno de longe e um sorriso já resolvem o assunto.