Quando conto para as pessoas que passei três meses fora do Brasil entre novembro e fevereiro, costumo ouvir uma pergunta: “E o seu namorado?” Eu até entendo o questionamento: juntos há alguns anos, eu e meu namorado costumamos nos ver diariamente – passar três meses longe um do outro foi de certa forma um desafio. Mas só e tão somente pela saudade – não por ciúmes ou qualquer tipo de conflito, como as pessoas costumam pensar. “Mas vocês não brigaram? E o ciúmes? E a carência? Ele não ficou se sentindo abandonado?”

tranquilo

Não, não brigamos – mas, sendo honesta, muita gente brigou: tive muitos, mas muitos colegas de viagem que foram namorando e voltaram solteiros. Terminaram porque o namorado ou a namorada que ficou no Brasil tinha ciúme das festas, dos novos amigos e até do trabalho, que impedia o parceiro de passar muito tempo no telefone ou Skype; terminaram porque sentiram que não estavam recebendo do namorado ou da namorada o suporte e o apoio necessários na realização de um sonho como esse; terminaram até porque eles mesmos não aguentaram a carência e decidiram que era melhor encontrar alguém novo por lá. Não digo que terminaram por falta de amor, e, por favor, não quero aqui dizer que meu relacionamento é de qualquer forma melhor que o dos outros. Mas acho que às vezes as pessoas terminam por um… Excesso de intensidade, por assim dizer.

Sabe aquelas pessoas que dizem que, às vezes, brigar é bom – porque é “gostoso” fazer as pazes depois? Aquelas pessoas que pensam que “um ciuminho de vez em quando é saudável”? Aquelas pessoas que justificam as brigas com o namorado ou namorada dizendo que “faz parte, vai”? Okay, até faz – mas não todo dia. Não acho bom brigar, nem mesmo se for para fazer as pazes depois: acho estressante, desgastante, e acho que sempre deixa memórias e feridas que podem atrapalhar mais tarde. Não acho que ciúmes seja prova de amor, e sequer “saudável”: acho que é falta de maturidade e de confiança, em si mesmo, no outro, no relacionamento. E acho que, se brigasse com meu namorado mais de uma ou duas vezes por ano, eu terminaria: namoro é pra ser uma coisa boa na sua vida, não um fardo. Se não é pra ser feliz juntos, melhor que cada um siga para o seu lado.

tranquilo

Eu sei: gosto não se discute, e cada um sabe da sua vida. Mas nunca vou entender o apelo que essas relações iô-iô tem para algumas pessoas. Defitivamente não preciso da intensidade das idas e vindas para ser plenamente feliz e satisfeita com meu namoro – não só não preciso, como não quero. Gosto do meu relacionamento pacífico, seguro. Pode ser chato, na visão de algumas pessoas – na minha, ele é maduro e tranquilo.

E feliz.