Vou fazer aqui uma atitude-paradoxo que é criticadíssima na internet: reclamar de quem reclama.

Mas é sério: eu detesto gente que só reclama. De tudo. O tempo todo.

Pensei nisso esses dias, quando um grupo de conhecidos voltou de um programa de intercâmbio – um programa que eu mesma adoraria fazer (e que ainda pretendo fazer um dia, mas isso é assunto para outro texto). Entre eles, estava uma menina que… Bem, só reclamou. Na volta e, aparentemente, durante a viagem: que as colegas de quarto eram insuportáveis, que o trabalho era pesado demais, que as festas não eram tão legais quanto os outros diziam. O resto do grupo voltou tão animado e cheio de elogios que eles nem pareciam ter ido para o mesmo lugar – mas depois, conversando com eles, um a um, eu percebi que havia, sim, reclamações entre eles também: houve quem teve problemas com os colegas de quarto, “mas, ah, eu passava tão pouco tempo em casa, né? Nem fiquei focando nisso”; houve quem achou o trabalho pesadíssimo, “mas eu sabia que ia ser assim, né? Descansava o quanto podia e focava no fato de que estava ganhando uma grana legal”; houve quem não curtiu tanto assim as festas, “mas, poxa, tinha tanta coisa pra fazer na cidade além das festas! Eu consegui me divertir um monte.” Ou seja: o que fez a viagem ser ruim ou boa foi muito menos a viagem em si e muito mais o, digamos assim, mindset de cada um – o quanto cada um soube lidar com os perrengues e se concentrar nas partes boas.

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E tem gente que parece que é assim o tempo todo: existe uma nuvem negra acima das cabeças delas, fazendo-as aumentar o tempo todo a importância das coisas ruins e diminuir a das coisas boas. “E aí, tudo bem?” “É, indo.” “Por quê? Aconteceu alguma coisa?” “Não… Sei lá. Bem por isso.” Como se algo extraordinário precisasse acontecer para se ficar feliz – como se não bastasse estar vivo, ter saúde, um emprego, amigos, seja lá o que houver de bom na sua vida (porque alguma coisa com certeza há). Algumas pessoas parecem achar que reclamar de tudo, achar tudo ruim, ser ranzinza, odiar todo mundo é algo cool – te faz meio blasé, meio mais legal que esses iludidos que se empolgam com qualquer coisa na vida, coitados. Posso mandar uma real? A vida deles provavelmente é muito mais legal que a sua.

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E não porque a vida deles é, em si, puramente, de fato mais legal que a sua – mas porque eles fazem com que seja assim: focando no que há de bom e relevando o que há de ruim, optando por não sofrer e (perdão pelo clichê) sendo gratos por coisas positivas que eles vivem, têm ou presenciam (quantas pessoas será que dariam tudo para ter alguma coisa que já é normal nos seus dias?). Como eu já escrevi aqui, eu não acho que seja uma coisa mística – não acredito literalmente em O Segredo, olho-gordo ou “quando você quer muito alguma coisa, o universo todo conspira a seu favor”. É mais uma questão de atitude. Quem consegue focar no lado bom da vida sempre vai ter motivos para sorrir e histórias divertidas para contar – enquanto quem prefere se concentrar no que é ruim e escrever textões e mais textões de reclamações no Facebook pode acabar se esquecendo de que a vida é curta, e que o que devemos fazer é tirar o melhor de cada situação e aproveitar as experiências o melhor que pudermos. Seja no intercâmbio ou na rotina do dia-a-dia.