O Ditto é um Pokémon que todo mundo adora: uma espécie de geleia roxa, ele não tem habilidades ou fraquezas marcantes por si só, mas pode se transformar em qualquer outro Pokémon – imitando suas características físicas, e até mesmo seus poderes. Quando confia na própria memória, o Ditto pode acabar cometendo alguns erros; mas, se está na presença do Pokémon imitado, vira uma cópia certinha dele, sem tirar nem pôr. E só aí o Ditto ganha “personalidade”, pontos fortes e fracos, habilidades mais específicas que o poder de se tornar outro ser.

ditto

Vocês já repararam que tem muita gente por aí que é igualzinha ao Ditto?

Todo mundo tem aquela amiga cujo gosto musical é definido pelas pessoas com quem ela está dando rolê no momento: se está pegando um metaleiro, começa a se vestir de preto, vira fã das bandas do gênero, tatua letra de música. Se fez uma BFF louca por música eletrônica, adota as baladas, as gírias, todo o lifestyle de quem curte o mesmo gênero. Se pegou um Airbnb na casa de um indie zen, volta pra casa, compra um violão e aprende a tocar as músicas da Banda do Mar. Todo mundo tem aquele conhecido que vira outra pessoa na presença de certos amigos – às vezes até mais legal, às vezes um completo babaca. Todo mundo tem aquele amigo que ama tudo: é SUPER fã do ator x (só porque um outro amigo é), ADORA tal filme (só porque um outro amigo adora), SEMPRE sonhou em fazer determinada coisa (só porque um outro amigo sempre sonhou). Todo mundo tem aquela colega que parece que suga você: não no sentido de ser uma vampira de energia boa, mas parece que ela suga mesmo a sua essência – ei, essa era a minha banda favorita, dá licença? Esse é o meu sonho, esse é o meu objetivo. Me deixa? Cria os seus, por favor? Obrigada.

Eu detesto gente-Ditto.

genteditto

Gosto de gente com personalidade. Gente que vem e me surpreende ao contar as coisas que já fez, as coisas de que gosta, quem são seus ídolos, quais são seus planos para o futuro. Gente que me apresenta o inédito – e não uma versão desbotada do que eu mesma apresentei a elas. Acho que gente com personalidade soma, ensina, te faz entender coisas novas e evoluir como ser humano. Mesmo quando a personalidade dela é tão diferente da minha que nós acabamos nos estranhando de vez em quando.

É claro: ninguém precisa bater o pé e ser o Do Contra só pra “ter personalidade” o tempo todo, e obviamente é legal aceitar do amiguinho aquela sugestão de série ou livro, e ocasionalmente virar fã de algo de que ele já era anteriormente. Mas sempre mantendo a sua essência. Entendendo e cuidando de quem é você de verdade.

Pra gente-Ditto eu não tenho paciência, não.