Apesar de gostar de mar, eu não sou muito praieira – adoro o som do mar, a visão do mar, o cheiro do mar, e adoro um bom mergulho, mas não curto ir lá, deitar na areia e ficar torrando no sol. Sou inquieta demais pra isso – e fico com a pele vermelha rápido demais pra isso. Mas às vezes, no verão, quando está muito calor, eu olho meu namorado e proponho: vamos à praia? Sei lá, sabe – só para dar um mergulho, se refrescar um pouco. Mas ele não curte: praia, ele diz, é pura “convenção social”. A teoria dele é que ninguém gosta realmente de ir à praia: a galera vai porque, sei lá, criou-se essa convenção de que praia é legal. Porque aparece na TV. Porque aquele amigo surfista vai. Porque afinal, diz ele, não é possível que alguém goste de passar calor, ficar sujo de areia e melequento de água salgada, sentir a pele arder, comer comida de origem duvidosa e ainda pegar um trânsito infernal na volta.

praia

Antes que me atirem pedras, deixa eu explicar: eu entendo que isso é uma brincadeira, um exagero do meu namorado para mostrar como odeia praia – e que, claro, assim como a praia tem seus perrengues, também tem muita coisa boa. E, assim como tem gente que odeia, tem gente que ama do fundo do coração. Mas sabe que, pensando bem, eu não acho que meu namorado esteja assim 100% errado? Acho que esse tipo de convenção social existe mesmo: você acaba indo, acaba fazendo as coisas, porque, bom, todo mundo está fazendo. Porque dizem que é legal – e, se aparentemente tooodo mundo acha que é legal, deve ser mesmo, né? Talvez o errado seja você. Talvez você não esteja gostando porque não está fazendo a coisa direito.

E eu aposto que é assim com muita coisa – balada, por exemplo: de novo, tenho certeza de que muita gente adora (eu adorava, até enjoar de vez há uns cinco anos), mas também tenho certeza de que muita gente vai arrastada, porque “é que todo mundo faz” no sábado à noite. Porque os amigos foram e ficaram enchendo o saco até você topar acompanhar. E aí você fica lá, sofrendo com a música alta, com a superlotação na pista, pagando caro – literalmente – para, no final das contas, se arrepender por não ter ficado na cama vendo Netflix. Acho que é assim com bebida: eu odeio ficar bêbada e odeio o gosto da maioria das bebidas alcoólicas, e tenho certeza de que não posso ser a única no mundo que pensa assim – mas é só ter um churrasco, um barzinho, uma festa, para todo mundo encher a cara como se fosse pré-requisito para aproveitar a festa propriamente. É assim com pegar geral: tem gente que prefere arranjar alguém com quem ficar por dez anos seguidos, e não, essa pessoa não está “perdendo tempo” ou “deixando de aproveitar a vida.” Ela está aproveitando do jeito dela, que é diferente do seu, mas, caramba, é o jeito que ela prefere.

luzes

Tem um meme por aí que resume a situação – e muita coisa do que eu falo em vários posts aqui do blog: “deixa as pessoa” – assim, no singular mesmo, porque sem o erro gramatical não é meme. As pessoas gostam de coisas diferentes e se divertem de maneiras diferentes – inclusive indo contra as ditas convenções sociais. Não precisa arrastar para a praia aquele seu amigo que detesta – e nem tentar convencer sua amiga que namora o mesmo cara a vida toda de que ela está perdendo alguma coisa. Deixa as pessoa. E vai se divertir com o que faz você feliz – mesmo que seja passar o feriado inteiro sozinho (ou acompanhado, vai), em casa, de pijama, jogando videogame e comendo pizza. Aliás, quem nunca, né?

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