Jello Biafra, 60 anos, divulgou carta criticando os ex-colegas: “Eles tem ciência sobre as capas dos discos da banda? Alguma vez na vida eles leram minhas letras nos encartes dos discos?”

Por GaúchaZH

Após a grande polêmica envolvendo o cartaz da turnê da Dead Kennedys pelo Brasil, que ironizava o presidente Jair Bolsonaro e seus eleitores, com provocações sobre a regulamentação da posse de armas e a atual situação no país, o ex-vocalista da banda Jello Biafra, 60 anos, decidiu se pronunciar sobre o assunto. “Estou em choque. Estou deprimido. E antes de mais nada, como foi que eles deixaram tudo isso acontecer?”, escreveu em uma carta divulgada pela produtora EV7 Live e publicada na Scream & Yell.

Sobre a arte do cartaz, realizada pelo artista Cristiano Suarez, Biafra afirmou que adorou o pôster e achou a arte “sensacional”. “Me sinto honrado sempre que posso usar algo tão maravilhoso (feito com seriedade!) para algum dos meus projetos. Se algum dia eu conseguir uma cópia desse poster, eu quero enquadrá-lo e pendurar na minha sala ou no escritório da Alternative Tentacles.”

Ele não poupou críticas aos ex-colegas de banda, principalmente em relação à publicação nas redes sociais em que afirmaram “não ter conhecimento suficiente para falar sobre assuntos políticos de outros países”. Autor de algumas das letras de maior sucesso da Dead Kennedys, repletas de críticas sociais, o cantor questionou: “O que eles tem a dizer então sobre Holiday in Cambodia? E sobre Bleed For Me, cuja letra eu escrevi para as vítimas das guerras sujas da América Latina? Eles tem ciência sobre as capas dos discos da banda? Alguma vez na vida eles leram minhas letras nos encartes dos discos?”.

“Valentões fascistas realmente ameaçaram a banda e disseram que haveria violência caso os shows acontecessem? Eles ameaçaram o promotor e as casas de show? Ou alguém ficou preocupado com o fato dos apoiadores do Bolsonaro não comprarem camisetas suficiente da banda nos shows?”, indagou ele sobre motivos da banda para criticar pôster.

Resumindo seu sentimento em relação à banda, Biafra declarou que “não quer mais tocar com esses caras, independente de quantos milhões de dólares sejam oferecidos. A banda acabou em 1986”.

O cantor ainda falou sobre a situação política no Brasil, afirmando temer pela Floresta Amazônica, por tribos indígenas e pela população brasileira. De acordo com ele, “nós admiramos e respeitamos muito cada um que tenha a coragem de se posicionar contra o Bolsonaro e seus apoiadores fascistas metidos a valentões”.

E, como mensagem final, escreveu: “Saibam que vocês estão em nossos corações. Vocês não foram esquecidos. Vocês não estão sozinhos. Foda-se o fascismo”.