Por GaúchaZH

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Guitarras distorcidas, um cantor de voz esganiçada, músicos cabeludos e magricelas, calças de couro e muitas caras e bocas: eis a munição do grupo Greta Van Fleet para levar o hard rock de volta às paradas -ou ao menos tirá-lo da UTI.

Se você já ouviu falar na banda americana, provavelmente foi em menção acompanhada de “que faz um som parecido com o Led Zeppelin”. É verdade: atração do festival Lollapalooza, entre 5 e 7 de abril, em São Paulo, o jovem quarteto soa como Led – e também como Rush, AC/DC, Deep Purple e Black Crowes. “O rock está vivo. Pode estar em condição crítica, mas vive, e sou feliz por fazer parte da insurgência”, diz o baterista Danny Wagner, 20.

Seu grupo tem algo mais em comum com a banda de Jimmy Page e Robert Plant: foi destroçado por uma crítica, assim como o quarteto inglês teve o primeiro álbum massacrado, em 1969, pela revista Rolling Stone, então a bíblia do rock. “Nunca li. Sei do que se trata, mas a gente anda ocupado, não sobra tempo nem estado de espírito”, afirma Danny. A reportagem insiste: não incomodou mesmo receber nota nota 1,6 em 10, possivelmente a pior avaliação de um disco em toda a história do conceituado site Pitchfork? De início blasé, Danny afinal passa recibo: “Acho que todo autor tem o direito a uma opinião. Por outro lado, esse cara não queria tanto resenhar um disco quanto gerar cliques. Bom pra ele, mas isso não vai fazer com que eu leia.”

Fã de Ringo Starr, dos Beatles, e de Mitch Mitchell (1946-2008), de Jimi Hendrix (1942-1970), Danny é o único do grupo sem o sobrenome Kiszka. Completam a banda o baixista Sam, 19, o guitarrista Jake, 22, e o vocalista Josh, 22 – os três são irmãos e os dois últimos são gêmeos. “Quando entrei na banda, fui acolhido como um irmão. Somos muito próximos e, quando debatemos, estamos no mesmo nível. Espero que seja sempre assim.”

A chegada de Danny fundou o Greta Van Fleet, em 2012, em Frankenmuth, pequena cidade de Michigan. O começo foi como nos manuais: ensaios na garagem para levantar o repertório de shows em bares e casas noturnas da região. A roda da fortuna girou em março de 2017, quando a banda assinou com o selo Lava Records, da gravadora Universal. Um mês depois, veio o primeiro EP, Black Smoke Rising, cujo single Highway Tune alçou o primeiro lugar das paradas de rock. E, em outubro passado, o grupo afinal lançou o seu primeiro disco completo, Anthem of the Peaceful Army.

A estreia fez a banda liderar de novo os rankings roqueiros e beliscar o top 40 geral. Também rendeu o primeiro Grammy, em fevereiro, na categoria Melhor Álbum de Rock.

A despeito da perda de relevância de cerimônias afins, o prêmio foi significativo: nomes fortes do rock, como The Who, Queen e o próprio Led Zeppelin, nunca ganharam estatueta por seus discos à época em que foram lançados. Danny e os Kiszka não estavam na festa e souberam por telefone. “Foi um momento de poucas palavras e muito orgulho: sorrimos e nos olhamos. Significou bastante, mostra que podemos almejar coisas maiores”, afirma Danny.

Para o futuro, o grupo ambiciona tocar com heróis que os ensinaram o bê-á-bá. “Um deles é Paul McCartney; só estar com ele já seria demais”, diz Danny, que soma à lista Bob Dylan e os contemporâneos Adele e Imagine Dragons.

O baterista e os colegas estão ansiosos para conhecerem o Brasil, de que ouviram referências sobre “pessoas bonitas e música rica e exuberante”. Por aqui, farão show no palco principal do Lollapalooza. Não será novidade para o conjunto, que no ano passado tocou em festivais nos EUA e na Europa, como o Download Festival, no Reino Unido. O grupo também se apresentará em uma Lolla Party, os shows individuais de artistas do festival, e vai tocar no Rio. “Shows grandes são barulhentos e a multidão fica doida, mas amo os pequenos, porque há relação íntima com a plateia, e o som faz chacoalhar o prédio inteiro. É perfeito quando a turnê tem os dois.”