A cantora e compositora escreveu um artigo para o New York Times

Em um relato corajoso, Shirley Manson, vocalista do Garbage, falou sobre a época em que teve depressão, no início da vida adulta, e sobre o hábito de automutilação que surgiu daí – o depoimento foi feito por meio de um artigo publicado no New York Times. A cantora e compositora descreveu o período no final da adolescência, em que estava vivendo um relacionamento abusivo: já abalada pela baixa auto-estima, Manson começou a se cortar com um pequeno canivete que costumava usar preso às suas botas – inicialmente, como uma espécie de acessório.

Shirley Manson

A primeira experiência da artista com a automutilação aconteceu logo depois de uma briga com o namorado. “De repente, eu senti que era parte de algo muito maior que aquela situação estúpida em que eu me encontrava”, ela escreveu. “Na minha cabeça, minha vida de repente se tornou algo maior. Eu estava salva. Eu tinha um inimigo, e tinha uma faca. E o futuro era nosso.” Com o tempo, os episódios de automutilação se tornaram piores. “Uma vez que você decide se entregar a isso, você vai se tornando melhor, mais eficiente. Eu comecei a me machucar regularmente. Os cortes se tornaram mais profundos. Eu escondia as cicatrizes por baixo das minhas meias e nunca contei nada daquilo a ninguém.” Manson conseguiu se livrar do hábito em uma época em que começou a sair com “uma pessoa amorosa e respeitosa, que também é um comunicador incrível.”

O que não quer dizer que a tentação de se cortar não tenha voltado de tempos em tempos: na época do lançamento do segundo álbum do Garbage, Version 2.0, a vocalista diz que foi vítima da “síndrome do impostor”, ao se importar demais com o que a mídia dizia a respeito de seu visual e suas atitudes. “A angústia pela qual eu estava passando foi extrema, e meio que me fez perder a cabeça”, ela relata. “Em momentos mais histéricos, eu pensava que poderia simplesmente pegar e usar uma faca pequenina, e aquilo poderia me trazer um pouco de alívio e me ajudar a lidar com o stress.”

Shirley Manson

A cantora conseguiu resistir – e diz que, até hoje, permanece “vigilante, atenta a esses antigos padrões.” Manson comenta que manter o foco em coisas simples, como ser gentil consigo mesma e com os outros e exercitar a criatividade, ajuda a manter sua mente longe de pensamentos e ações autodestrutivos. “Eu acredito que o que realmente importa é quem nós somos, e não quem parecemos ser. O que realmente importa é como escolhemos nos mover por esse mundo desconcertante que nos cerca.”

Recentemente, Version 2.0 voltou às lojas, em uma edição comemorativa de 20 anos: disponível em diversos formatos (digital, CD e vinil duplo colorido), a nova edição tem nada menos que dez faixas-bônus. O segundo disco do Garbage foi originalmente lançado em maio de 1998, e apresentou os singles I Think I’m Paranoid e Push It. Shirley Manson já definiu o trabalho como “a quintessência do Garbage”, enquanto o baterista Butch Vig o descreveu como o melhor álbum da banda.