A música, uma das mais controversas do Guns N’ Roses, tem trechos considerados racistas e homofóbicos

A controversa faixa One In A Million vai ficar de fora do relançamento de Appetite For Destruction, anunciado pelo Guns N’ Roses na última semana: mesmo na época de sua estreia, no final dos anos 1980, a música já causou polêmica, por conter trechos como “policiais e negros, saiam do meu caminho, eu não preciso comprar sua correntes de ouro hoje” ou “imigrantes e gays não fazem sentido para mim: eles vêm para o nosso país e acham que podem fazer o que quiser, como fundar um mini-Irã ou espalhar alguma doença.” Quase ironicamente, a canção também ataca “radicais e racistas”.

Guns N' Roses

“Eu não gosto de amarras de qualquer tipo”, argumentou Axl Rose em 1989, em entrevista à revista Rolling Stone norte-americana. “Eu não gosto que determinem o que eu posso e o que eu não posso dizer.” O vocalista afirmou já ter tido “experiências ruins com homossexuais”, mas complementou: “Eu não sou contra eles fazerem o que quiserem, desde que não machuquem ninguém e não forcem isso sobre mim.” No ano passado, Elton John – que é assumidamente gay – defendeu Rose: “Nunca, nem em um milhão de anos, eu pensaria que Axl Rose é homofóbico. Eu fiz o MTV Music Awards com ele e o Guns N’ Roses. E me apresentei no Grammy com Marshall [Marshall Mathers, verdadeiro nome do rapper Eminem, também conhecido por suas letras polêmicas], e nós nos tornamos grandes amigos. Eu sempre vou defender as pessoas que são mal-compreendidas e atacadas pelos idiotas que existem por aí.”

A nova versão de luxo de Appetite For Destruction, primeiro trabalho do Guns, chega às lojas no dia 29 de junho, com nada menos que 73 faixas, 49 inéditas. O relançamento também traz todas as músicas de G N’ R Lies, disco de 1988, que originalmente contava com One In A Million. O material sai em diversos formatos: cinco CDs, sete LPs, e até mesmo uma edição distribuída em sete fitas cassete.