O artista promove seu terceiro disco solo, o mais experimental até agora

Sempre inovador, Jack White tomou uma decisão quando começou a trabalhar no que seria seu terceiro disco solo: o músico decidiu passar três dias gravando com artistas com os quais nunca havia trabalhado – entre eles, gente do universo do hip-hop, instrumentistas que já haviam trabalhado com Jay-Z, Kanye West e Kendrick Lamar. “Não fazia ideia se conseguiríamos nos comunicar musicalmente”, contou White, em entrevista recente à Rolling Stone norte-americana. “Poderia ter sido um desastre.”

Jack White

Mas não foi: a experiência deu tão certo que, depois de passar os três dias gravando com o primeiro grupo de convidados em Nova York, White repetiu a experiência em Los Angeles, com outro grupo de músicos. Desse método nada tradicional nasceu Boarding House Reach, álbum que chegou às lojas no fim de março, com toques digitais, psicodélicos e até de jazz. “Eu quis pegar punk, hip-hop e rock, e enfiar tudo em uma cápsula do tempo de 2018”, explicou White. “Para mim, todo o disco é incrivelmente moderno.” A novidade chega depois de dois anos de férias do artista, que, após lançar Blunderbuss (em 2012) e Lazaretto (2014), havia emendado uma turnê na outra: “Quis ficar com meus filhos o máximo possível enquanto a idade deles era de apenas um dígito.” A turnê de Boarding House Reach começa em maio, mas White pretende intercalar cada duas semanas de shows com duas semanas de descanso, para poder ficar com a família.

Boarding House Reach

Durante os experimentos com os grupos de músicos que montou, White acabou conseguindo finalizar uma antiga composição sua: Over and Over and Over, escrita ainda na época do White Stripes – ele já havia tentado gravar a canção com o The Raconteurs e outros projetos, mas nunca havia encontrado o tom certo. “Simplesmente ia deixar essa para os meus netos”, brincou. Já uma das primeiras faixas divulgadas do disco, Connected by Love, teve o título original alterado por um motivo peculiar – inicialmente, White queria batizar a música de Infected by Love. “Mas achei que as pessoas podiam transformar em ‘você tem uma DST ou algo assim?'”.

E o que Boarding House Reach tem a ver com os trabalhos da época do White Stripes – apesar dos estilos de produção e gravação serem completamente diferentes? “Sempre assumi a tarefa de me levar para situações desconfortáveis”, White aponta. “Se você é um artista, seu trabalho não é facilitar sua vida e colocar outras pessoas para executar suas funções. Nunca fui fã de gente que faz isso e não respeito essa forma de abordar a música.”