Em 13 de julho, é comemorado o Dia Mundial do Rock – talvez um dos ritmos mais diversos da música. A data foi escolhida em homenagem ao Live Aid, mega evento beneficente que aconteceu nesse dia em 1985, reunindo alguns dos maiores ícones da música. Em sua trajetória de cerca de 70 anos, o rock foi especialmente marcado por certas bandas ou artistas que mudaram os rumos do estilo, influenciaram dezenas de outros grupos e determinaram paradigmas seguidos quase inconscientemente por outros músicos. Não é uma questão de discutir preferências: gostando ou não dessas bandas, qualquer fã de rock entende a influência que cada uma delas teve na história da música – e que, sem elas, o rock possivelmente seria muito diferente do que é hoje.

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Uma dessas bandas – e que inclusive participou do Live Aid em 1985 – é o Led Zeppelin. O grupo havia encerrado oficialmente a carreira cinco anos antes, com a morte do baterista John Bonham, mas os membros remanescentes aceitaram se apresentar no evento. O convite não foi à toa: na época, o Led Zeppelin já era considerado um dos grupos musicais mais relevantes e influentes do mundo. Com seu som pesado, orientado para o blues-rock, a banda é considerada precursora do heavy metal e do hard rock – e, por alguns, como uma das primeiras bandas de heavy metal existentes. O estilo do grupo britânico – que também está entre os maiores recordistas de vendas de álbuns de toda a história – era tão único, porém, que sua música influenciou também mais uma variedade de subgêneros, incluindo o folk; e o surgimento do rock de arena. Até mesmo a moda de outros grupo foi influenciada, ao longo dos anos, pelas roupas e o estilo dos integrantes do Led Zeppelin: os cabelos longos, as camisas e os jeans apertados, os lenços de seda. Entre as bandas que beberam na fonte do Led Zeppelin estão Deep Purple, Black Sabbath, Rush, Queen, Megadeth e Dream Theater.

O irônico é que, de início, o Led Zeppelin não agradou aos críticos; mas alcançou grande sucesso comercial com seus seis primeiros álbuns – o quarto deles, sem título, traz a faixa Stairway To Heaven, um dos maiores clássicos do rock. Seus integrantes são frequentemente considerados alguns dos maiores músicos de rock: Jimmy Page como guitarrista, John Bonham como baterista, Robert Plant como vocalista. O baixista John Paul Jones, que é multi-instrumentista, também é reconhecido como um influente arranjador e diretor musical. A banda entrou para o Hall da Fama do Rock em 1995; e sua biografia no museu descreve o grupo como “tão influente na década de 1970 quanto os Beatles na década anterior.” Como banda, o Led Zeppelin se reuniu pela última vez em 2007, com o filho de John Bonham na bateria; mas seus integrantes ainda vivos continuam investindo em carreiras solo de sucesso.

Havia muito misticismo nas letras e músicas da banda, principalmente por causa do interesse de Jimmy Page e Robert Plant pelo oculto – e isso fez surgir diversos mitos sobre o grupo, o que só aumentou a popularidade e o falatório em torno do Led Zeppelin. Na capa interna de seu quarto disco, por exemplo, a banda colocou um ermitão inspirado em uma carta de tarot (e muita gente achou que fosse um personagem de O Senhor dos Anéis, série da qual os integrantes do grupo são assumidamente fãs: eles até falam sobre o assunto em Ramble On, música de 1969). Na capa do mesmo álbum, não há título: apenas quatro símbolos, cada um representando um dos integrantes do Led Zeppelin. O símbolo que representa Jimmy Page, porém, se parece com a palavra ‘Zoso’; e muitos fãs passaram a se referir ao disco desta forma. Também diz-se que foi Keith Moon, do The Who, quem criou o nome da banda. E, claro, o rumor maior: de que Jimmy Page seria satanista, ou de que a banda teria um pacto com o diabo – há até quem diga que a letra de Stairway To Heaven, quando ouvida de trás para frente, prova isso. Os integrantes nunca fizeram esforço algum para negar os boatos, talvez sabendo que tudo o que atrai a atenção das pessoas é bom para as vendas. “Eu não quero falar sobre minhas crenças pessoais ou meu envolvimento com magia”, chegou a afirmar Page à revista Rolling Stone norte-americana. O guitarrista também comprou uma casa na Escócia que anteriormente pertenceu ao ocultista Aleister Crowley – e jura de pés juntos que a mansão é mal-assombrada.

Lendas à parte, o Led Zeppelin tem um lugar cativo na história do rock e da música – e seus mais de 200 milhões de discos vendidos são certamente tão fascinantes quanto todos os mitos a respeito da banda. Quem sabe, se John Bonham não tivesse partido, o grupo não continuaria por aí – disputando com os Rolling Stones o título de grupo mais longevo do rock?