Pearl Jam Twenty, feito para celebrar os 20 anos de carreira do grupo, é um relato abrangente sobre uma das principais bandas de rock do mundo

O Pearl Jam está de passagem pelo Brasil, com a turnê Lightning Bolt – e a editora BestSeller aproveitou para lançar por aqui o livro Pearl Jam Twenty, em que os próprios integrantes contam a história da banda. Com muitas imagens e entrevistas com todos os músicos, o texto vai relembrando, ano a ano, os momentos mais importantes da carreira do grupo. O relato é abrangente: começa ainda com a Green River e a Mother Love Bone, bandas que acabaram dando origem ao Pearl Jam; a participação dos rapazes no filme Vida de Solteiro, do diretor e amigo Cameron Crowe; e o lançamento do icônico álbum Ten, que já trazia aqueles que seriam alguns dos maiores clássicos da banda, como Alive, Black e Even Flow.

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De lá para cá, a obra mostra as diferentes fases da carreira do Pearl Jam e muito de como o grupo lidou com o sucesso depois da explosão do grunge. Momentos tão distantes como a briga com a Ticketmaster, em 1994 (os integrantes consideravam injustas as taxas de serviço cobradas no preço dos ingressos), e a decisão de lançar o álbum Backspacer sem o apoio de uma gravadora, em 2009, 15 anos depois, são exemplos de como os músicos sempre procuraram trabalhar de forma independente e com foco na música e nos fãs. Os artistas também falam sobre momentos traumáticos, como a morte de nove fãs durante uma confusão em uma apresentação no festival de Roskilde, na Dinamarca, em 2000. O episódio marcou para sempre a história da banda, que demorou muito a voltar a fazer shows em grandes arenas. “Nós repensamos tudo a partir daquele momento”, diz o guitarrista Stone Gossard no livro. “Quando éramos responsáveis pela nossa própria segurança, quando éramos responsáveis pelos nossos próprios shows, eles eram selvagens, mas estávamos muito cientes do que acontecia à nossa volta. Depois do que ocorreu, passamos a não acreditar mais em eventos em que não tínhamos permissão no contrato para intervir e supervisionar a segurança da forma como sabíamos que deveria ser feito, sobretudo lidando com públicos grandes como aquele”

Há ainda depoimentos de outros músicos, amigos e parceiros da banda, como Chris Cornell, Dave Grohl e Neil Young – que gravou um álbum, Mirror Ball, em parceria com o Pearl Jam. O cineasta Cameron Crowe, amigo de longa data da banda, escreve o prefácio. Ele é o diretor do documentário Pearl Jam Twenty, lançado nos Estados Unidos na mesma época que o livro.

Trecho:
“Ainda parece que estamos crescendo até hoje”, diz Eddie Vedder. “Vi uma resenha há pouco tempo sobre como é raro ver uma banda que está junta há tanto tempo tocando com tanta disposição quanto tocamos. E realmente isso não deveria ser uma surpresa. Estamos fazendo isso agora há vinte anos. Você deveria ficar melhor. Você deveria ser capaz de trabalhar mais. Mas é um jogo de números, também, porque o rock’n’roll e a rebeldia e todas essas coisas são meio que um jogo para os jovens. Mas esse fogo não tem que se apagar. Na verdade, ele não se apaga a não ser que você permita. Temos cinco pessoas ainda querendo continuar a jogar grandes troncos na fogueira.”

Pearl Jam Twenty
384 páginas
R$ 99
Tradução: Rodrigo Tavares de Moraes
Editora: BestSeller | Grupo Editorial Record