Cerimônia de nomeação aconteceu no último sábado, dia 18 de abril

Aconteceu no último sábado, dia 18, no Cleveland’s Public Hall, em Ohio, nos Estados Unidos, a cerimônia de 2015 do Hall da Fama do Rock and Roll – que, a cada ano, imortaliza artistas ou bandas vencedores de uma votação feita entre o público e especialistas do mercado musical. Para ser elegível, o músico ou grupo precisa ter lançado seu primeiro álbum há pelo menos 25 anos. Neste ano, os homenageados foram Ringo Starr, Lou Reed, Joan Jett, Green Day, Bill Withers, Stevie Ray Vaughan and Double Trouble, e The Paul Butterfield Blues Band.

É claro que uma das maiores estrelas da noite era o beatle Ringo – até mesmo pela demora do tributo: o baterista é o último integrante do Fab Four a entrar para o Hall da Fama, seguindo os passos de John Lennon, Paul McCartney e George Harrison. E quem fez a introdução de Ringo foi justamente Paul, que, em seu discurso, relembrou os primeiros ensaios e apresentações ao lado do baterista: “Nós éramos amigos dele, e ele costumava aparecer quando estávamos tocando e pedir algumas músicas, então fomos nos conhecendo”, contou. “Certa noite, nosso baterista da época, Pete Best, não estava presente, então Ringo ocupou a bateria. Eu me lembro daquele momento. Quero dizer, Pete era ótimo, e nós tivemos bons momentos com ele. Mas eu, John e George, que Deus os abençoe, estávamos tocando e cantando, e atrás da gente estava esse cara com quem nunca tínhamos tocado antes; e de repente ele começou a tocar What’d I Say, do Ray Charles – e muitos bateristas não conseguiam acertar aquela parte. Era meio difícil de fazer, mas Ringo acertou na mosca. Nós nos olhamos e parecia que estávamos nos dizendo ‘como assim? o que é isso?’. E foi ali, naquele momento, que aconteceu o verdadeiro começo dos Beatles.”

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Em seu discurso de agradecimento – logo depois de uma curta apresentação -, Ringo brincou com a demora de sua indução ao Hall da Fama: “Eu estava conversando com os jornalistas e eles me perguntaram ‘bem, por que você esperou tanto tempo?’, mas não tem nada a ver comigo. Você precisa ser convidado. Mas, de qualquer forma, aparentemente eu fui convidado – e estou adorando isso.”

Outro ponto alto foi a indução de Lou Reed, feita por sua amiga de longa data, Patti Smith. “Eu fiz meu primeiro contato visual com Lou quando eles [a banda Velvet Undergound] estavam tocando no Max Kansas City no verão de 1970; e depois, em algum momento, nos tornamos amigos. Era uma amizade complexa, às vezes meio antagônica, às vezes doce. Quando eu fazia alguma coisa certa, Lou me elogiava. Quando eu dava um passo em falso, Lou me detonava. Uma noite, nos acabamos hospedados no mesmo hotel, quando estávamos fazendo turnês separadas. Ele me ligou e me pediu para ir até o quarto dele. Ele soava um pouco sombrio, então fiquei meio nervosa. Mas eu fui lá e a porta estava aberta, e eu o encontrei dentro da banheira, vestido de preto. Então eu me sentei no banheiro e nós conversamos por horas, sobre todo tipo de coisa. Ele falou apaixonadamente sobre as dificuldades encontradas pelas pessoas que não se encaixam nos gêneros tradicionais. Ele falou sobre corrupção, sobre amplificadores de guitarra. Mas, mais do que tudo, ele falou sobre poesia, sobre a solidão dos poetas e sua dedicação a suas maiores musas. E, quando ele ficou em silêncio, eu falei: ‘Por favor, cuide-se, para que o mundo possa ter você pelo maior tempo possível’. E Lou sorriu.”

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Depois do discurso, um grupo de artistas – entre eles, Karen O, do Yeah Yeah Yeah; Beck; e Nate Ruess, do fun. – apresentou algumas das músicas de Lou Reed; como Vicious e Satellite Of Love. Lou Reed morreu em outubro de 2013, aos 71 anos de idade.

O Green Day, que foi induzido ao Hall da Fama do Rock em seu primeiro ano de elegibilidade, foi apresentado por Patrick Stump, vocalista da banda Fall Out Boy, que, em seu discurso, afirmou que “sem o Green Day, não existiríamos”. Os veteranos do punk fizeram uma rápida performance, em que apresentaram os clássicos American Idiot, When I Come Around e Basket Case; e se revezaram no discurso. “Isso é para cada um dos nossos fãs e para a nação Green Day”, afirmou um emocionado Mike Dirnt. “Isso é muito mais graças a vocês do que a nós. Estou muito orgulhoso de compartilhar minha vida na Terra com vocês. Acreditem em mim, temos muitos anos pela frente.”

Já o vocalista Billie Joe Armstrong comentou: “Eu estou sem palavras. A gratidão que estou sentindo agora é gigantesca; eu não esperava por algo assim, não mesmo. Eu e Mike estivemos sempre sempre juntos. Nosso distrito escolar foi à falência, então eles fecharam a escola de ensino médio e combinaram as duas escolas de ensino fundamental. Então ele foi para uma fundamental e eu fui para a outra, mas mesmo assim costumávamos pegar o mesmo ônibus. No primeiro dia da escola, eu acho que na quinta série, eu era o palhaço da turma no ônibus, mas o Mike também era, então travávamos duelos de brincadeiras na ida e na volta da escola. Mike é a minha alma gêmea musical e eu o amo tanto, passamos por tantas coisas juntos. Te agradeço por tudo. Sua amizade, sua família. Eu te amo.” Ele completou: “E eu conheci Tré quando o vi tocando com sua banda, chamada The Lookouts. Ele era um baterista muito jovem e estava usando uma touca daquelas que senhoras velhas usam e um tutu. Foi a primeira vez que vi Tré. Com o passar dos anos, nos conhecemos. Logo ele se juntou à banda e, não sei, foi incrível. Ele é um dos meus bateristas favoritos de todos os tempos. É um instrumento que eu amo escutar, porque meu pai foi baterista, meu irmão é baterista e meu tio é baterista. Sou aficionado. E Tré é fenomenal.”

Veja abaixo um trecho da apresentação da banda, gravado por um fã:

Na última semana, aliás, o Green Day já havia feito seu retorno aos palcos, depois de mais de um ano sem fazer shows ao vivo. E a apresentação, realizada na House Of Blues, também em Cleveland, foi ainda mais especial pela presença do baterista Al Sobrante, que ajudou a relembrar os tempos do Sweet Children, banda que mais tarde se transformaria no Green Day – os primeiros EPs e o disco de estreia (39/Smooth, de 1990), já com o novo nome, contaram com a presença de Sobrante. No show da última semana, as 11 primeiras faixas – entre elas, algumas que não eram executadas há décadas, como Only Of You e Disappearing Boy – foram tocadas pelo ex-baterista, e depois Tré Cool assumiu o instrumento. Assista abaixo uma parte do show: