Sabe quando você olha um objeto de decoração e imediatamente quer saber a história por trás daquela peça? Foi assim que conheci Felipe Message, um catarinense (nascido em Tubarão), que atualmente mora em Curitiba e que encontrou nas miniaturas de madeira uma paixão… mas ele não faz qualquer miniatura, o cara misturou música com arte, decoração e sustentabilidade para recriar mini guitarras de grandes artistas nacionais e internacionais. Bacana,né? Imagina ter na sua casa uma réplica em 22cm de uma das guitarras do Mark Knopfler, do Dire Straits, por exemplo?

1 MARK DIRE

Farmacêutico por formação, Felipe é um mini luthier (pessoa que fabrica instrumentos de corda de forma artesanal) que se diferencia dos demais pelos detalhes. Além de apresentar miniaturas incríveis, ele trabalha exclusivamente com madeira reciclada ou reflorestada e com a reutilização de materiais. “90% de todo o material utilizado para construção de cada miniatura de instrumento musical vem de materiais que supostamente iriam para o lixo. Posso citar madeiras desprezadas em serrarias, alumínio de latas de bebida, desodorantes aerossóis, metais de clips e de fios de energia elétrica”, diz Felipe.

1 felipe e as guitarras

A equipe do Itapema Trends ficou curiosa sobre o trabalho do Felipe e quis conhecer mais um pouco sobre o cara e suas mini guitarras. Confira nosso papo:

Itapema Trends – Desde quando você faz as miniaturas? Alguém da família já fazia trabalhos manuais com a madeira?

Felipe Message – Comecei a fazer mini guitarras há cinco anos. Não tive uma influência pessoal externa de pessoas com habilidade para lidar com madeira. O negócio fluiu naturalmente e batizei com o nome de Miniluthieria. Desde criança eu já gostava de trabalhar com madeira. De estilingue para pegar passarinho (coisa de moleque!) até a casinha do cachorro, a madeira já fazia parte de meus momentos de descontração. Isso ficou um tempo adormecido, pois quando você sai de uma casa para morar em apartamento você tem as privações desse tipo de moradia.

IT – Em que momento  o hobby se transformou em negócio?

FM – A ideia de fazer miniaturas de instrumentos musicais surgiu numa limpeza no armário da minha casa. Uma caixa de madeira, sem utilidade, seria descartada. Naquela caixinha vi a oportunidade de transformá-la em um violão. Utilizei tudo que tinha em minha volta para criar meu primeiro mini violão. Com faca de cozinha, lixa de unha, clips, grampo de papel, cola, entre outros materiais, meu objetivo foi concluído.

Não gosto muito de dizer que essa habilidade virou negócio, pois para mim é um hobby que me dá prazer em executar. Além disso, a construção de cada mini instrumento é extremamente limitada, pois não há o emprego de qualquer maquinário em toda sua construção. Tudo é feito de forma artesanal, do corte com uma serrinha de ourives até a pintura.

IT – Por que fazer instrumentos musicais? Qual tua relação com a música?

FM – Bem, eu poderia fazer carrinhos de madeira, bonecos, aviões etc. Até fiz esses objetos para meu filho, mas escutando e vendo vídeos antigos dos Beatles tocando seus lendários instrumentos fui me empolgando com a ideia de recriar tudo isso em apenas 22 cm.

Desde os 10 anos de idade eu já tinha meu violão e de lá pra cá sempre toquei o que eu gostava de escutar. Isso também me direcionou para este hobby.

IT – Qual a guitarra te deu mais trabalho/desafio?

FM – Os violões são muito mais trabalhosos do que as guitarras. Violões são instrumentos com uma caixa acústica, onde na miniatura tem que se ter mais cuidado para manter a forma e o alinhamento entre os tampos durante a sua construção. As guitarras tem um corpo sólido, com exceção das semiacústicas, que também demandam a mesma atenção dos violões.

1 Mini-Violão-U2-The-Edge

 

1 mini-guitarra-Beatles

1 mini-violão-barry-gibb

IT Qual a que mais te emocionou?

FM – Quando o pedido vem de alguém que quer homenagear um ídolo da música com meus quadros, a emoção já se inicia ao ler o e-mail e vai até a conclusão da arte. É isso que gratifica! Paul McCartney, Joe Satriani, Ana Carolina, Paula Fernandes, Leoni e alguns sertanejos, entre outros, são alguns dos grandes nomes que possuem e conhecem a minha arte.

Histórias interessantes contadas pelas pessoas que presentearam com a minha arte também me emocionam. Numa, a namorada pede o namorado em casamento. E nada de aliança! No lugar dela, um quadro com a miniatura da guitarra usada pelo namorado. Foi o SIM na certa!

IT – Quanto tempo para fazer uma miniatura (qual a que mais demorou? e a mais rápida?) 

FM – Geralmente, de cinco a sete dias é o prazo que eu estipulo para conclusão de cada miniatura. Vamos falar das demoradas. Esse Bandolim tomou um tempinho maior. Fiz para homenagear um amigo sambista de Florianópolis.

1a mini-Guitarra-Jimmy-Page (2)

As guitarras de braço duplo, como essa do Jimmy Page, do Led Zeppelin, também demandam um tempo maior.

1a jimmy

 

Este violino que fiz para um genro homenagear o seu sogro, em Curitiba, foi a obra mais demorada desde o início da Miniluthieria. O fundo da moldura é uma partitura criada em 1980 pelo homenageado.

1a mini-violino

IT  Qual a miniatura que você ainda sonha em fazer?

FM – Um sonho meu, que tenho como projeto, é contar a história dos Beatles através de seus instrumentos musicais. Já cataloguei cerca de 45 durante sua existência. Acredito que não passe de 50. A ideia é expor em museus no Brasil e no mundo! Preciso de um curador urgente! Aceito indicações.

IT Como as pessoas podem adquirir as miniaturas?

FM – Não há uma loja física nem virtual com o botão comprar. O contato é personalíssimo, assim como cada quadro, e se dá através do e-mail que está no meu blog miniluthieria.blogspot.com ou através da Fanpage da Miniluthieria. Esse é o canal principal, além do telefone (41) 9814-7793.

Pra quem curte música e decoração o trabalho do Felipe é inspirador. Ele não gosta de falar de valores… prefere que as pessoas entendam o trabalho dele, vejam e se encantem com os acordes imaginários (ou não) dos pequenos instrumentos….