O ano passou voando e muita gente se preparou para compartilhar com seus queridos uma das datas mais esperadas por todos, o Natal. Mas apesar de todos os preparativos, sempre fica a pergunta : “O que ouvir nessa noite especial para criar o clima natalino?”

Não há Dezembro sem Natal, nem Natal sem seus clássicos – eles invadem nossos ouvidos nesta época do ano na voz de diversos artistas que, ao longo do tempo, renovam os temas conhecidos ou se inspiram neles para criar o clima sem perder o frescor. Faça frio ou calor, a gente não dispensa uma boa playlist. De clássicos consagrados com diferentes roupagens a composições originais que celebram o tema, nosso convite é simples – aproveite a data com boa música. Confira as sugestões :

“Christmas”, lançado em 2011, é o quinto disco de estúdio do canadense Michael Bublé. Produzido por David Foster (que também produziu Seal em “Soul”), o trabalho traz 18 faixas e reúne clássicos gravados por uma infinidade de cantores, mas que na voz de Bublé ganham um tom e um toque especial.

Entre os destaques, “Jingle Bells” ficou divertida com a participação do trio inglês “The Puppini Sisters”, a elegância do músico para recriar “Ave Maria”, interpretada em latim, é um momento emocionante no disco. O clima de “Holly Jolly Christmas”, evoca aquele frio americano onde as pessoas vão para as ruas com suas famílias para brincar na neve e aproveitar a paisagem.

O que seria do Natal sem uma pequena nuvem mágica? A cantora e atriz Zooey Deschanel e o guitarrista e produtor M. Ward trazem toda essa leveza em ‘A She & Him Christmas’ (2011). Como os outros discos do duo, há uma roupagem discreta e bem elaborada aqui – a guitarra, o piano ou ukulele de Ward dialogam com o canto retrô-melancólico de Deschanal (com a sutil ajuda do lendário baterista Jim Keltner em algumas faixas). A voz da cantora na faixa “Christmas Day” dos Beach Boys soa sofisticada com simplicidade.

Eles são donos de uma discografia de cinco álbuns de sucesso, entre eles este presente no Natal de 2011. E a dupla gostou tanto do resultado do disco natalino que acabou repetindo a dose em 2016, com “She & Him Christmas Party”. Embora tenha 12 canções, o álbum é bem curto, só tem 32 minutos de duração. Entre as músicas, versões de grandes hits como “Let It Snow”, “Must Be Santa” e “Run Run Rudolph”.

Em 2003, no ano em que Johnny Cash morreu, a Sony Legacy reuniu alguns registros de Natal que o músico lançou em sua carreira em ‘Christmas With Johnny Cash’ (2003), uma excelente coleção de faixas reveladas entre 1962 e 1980. As canções evidenciam lições de amor e caridade além de reforçar o sentido de comunidade. “O Come All Ye Faithfull” e “Hark the Herald Angels Sing” têm uma força inexplicável e estão repletas de redenção.

O destaque é “Stille Nacht” ou “Silent Night” (Noite Feliz), uma das canções mais antigas do Natal. Foi criada em 1818 pelo padre Joseph Mohr, em Oberndorf (cidade próxima de Salzburgo). Todos os anos na missa do galo do local ela é ouvida na versão original. Já foi traduzida em mais de quarenta e cinco idiomas.

Em 2012, uma das metades da Everything But The Girl, a cantora Tracy Thorn se juntou ao grupo dos bravos artistas que conseguiram fazer um álbum de Natal quase só com composições originais. No disco “Tinsel and Lights” além de simpáticas versões, como “Have Yourself a Merry Little Christmas” e de “River” (de Joni Mitchel), a artista se arrisca no processo criativo mas com a bagagem da experiência, sem precisar de chocalhos ou sininhos, acerta em cheio, como em “Joy” e “Snow”.

O álbum evita principalmente canções canônicas, mas é primoroso quando apresenta releituras de músicas de Sufjan Stevens, Joni Mitchell, Randy Newman, Ron Sexsmith e The White Stripes. Ben Watt, o marido de Thorn e parceiro na Everything But The Girl, toca na maioria das faixas, e seus três filhos participam como backing vocals.

Gravado entre 2001 e 2012, “Songs for Christmas” foi inicialmente distribuído para amigos, fãs e familiares de Sufjan Stevens. Lançado oficialmente em coletâneas especiais em 2006 e 2012, o trabalho mistura repertório natalino e composições próprias, reunindo 284 minutos — quase cinco horas de música. A variação de gêneros e estilos torna a experiência prazerosa e curiosa. Há espaço para psicodelia, deboche, exaltação cristã e canto infantil. E muito mais.

Estão lá as tradicionais “Holy, Holy, Holy”, “Amazing Grace”, “Jingle Bells”, mas também “Christmas Unicorn”, “Lumberjack Christmas” (feita em parceria com os guitarristas do The National) e “Christmas Woman”, que em nada lembram a temática espiritual e reflexiva que marca o Natal. O tom despretensioso do disco é seu ponto forte. Não há uma estética padrão e uma referência obrigatória à data — embora boa parte das canções tenha elementos natalinos. Algumas das composições evocam o que há de melhor na obra do artista.

Em tempo : Não é surpresa que uma música de Natal – “White Christmas” de Bing Crosby – esteja no ‘Guinness Book of World Records’ como o single mais vendido de todos os tempos. Existe uma universalidade para a música de Natal que transcende a religião. O convite é apertar o play e curtir esse momento especial, entrando no clima. Feliz Natal!

Fotos – Divulgação