Desde 1997, a banda Thievery Corporation embalou duas décadas com nove discos e diversas colaborações com artistas como Perry Farrell (Jane’s Addiction), Wayne Coyne (The Flaming Lips) e David Byrne (Talking Heads). Agora os músicos estão começando o ano com um novo álbum, “The Temple of I & I”. O trabalho, temperado pela atmosfera do downtempo, hip-hop, trip-hop, traz a vibração e o frescor do Caribe, pois todo o disco foi gravado na Jamaica. A inovação, o espírito e o poder da música jamaicana foi uma fonte constante de criatividade e experimentalismo para esse novo álbum.

Quando se conheceram em meados da década de 1990, os líderes do grupo Eric Hilton e Rob Garza se uniram instantaneamente quando perceberam uma paixão em comum, a bossa nova. Tanto que o álbum de estréia, lançado em 1996, foi dedicado ao pioneiro da bossa nova, Tom Jobim.

A dupla baseada em Washington (DC), passou quase duas décadas criando e experimentando combinações na música eletrônica, inspirada em parte pelos ritmos da bossa nova e suas texturas exuberantes. Em 2014, eles celebraram o gênero brasileiro que os conectou : pela primeira vez os artistas apresentaram seu primeiro lançamento dedicado inteiramente à Bossa Nova, o álbum “Saudade”.

Para entender tudo isso e compreender melhor a obra da banda, assista ao Pocket Show gravado nos estúdios da rádio KEXP, na ocasião em que os músicos estavam de passagem (ano passado) por Seattle : a “Jam Session” revela belos arranjos e o aditivo principal, os vocais de Natalia Clavier.

 

Já o novíssimo “The Temple of I & I”, por outro lado, soa como uma mudança radical, os músicos se instalaram em Port Antonio na Jamaica, e por lá usaram as vibrações da ilha como uma tela. “No mapa musical, a Jamaica é um continente inteiro. Francamente, poderíamos ter passado um ano lá, absorvendo as vibrações do ar e a força e a resiliência ressoando do povo. E para nós, a única maneira de se conectar com esta rica fonte de inspiração era trabalhar nesse ambiente, sentir o pulso do lugar”, explica Eric Hilton em entrevista.

 

A aposta do novo trabalho é preferencialmente focada no dub, reggae e música eletrônica. Mas não espere nenhuma divisão perfeita entre as fronteiras de cada influência, é tudo misturado mesmo. O som de “The Temple of I & I” pode se descrito como um reggae jazzista, digital, climático, espacial e viajante. Não há nada que se limite a referências temporais. O som deles é totalmente à frente do seu tempo: isso se deve a um certo frescor futurista nas canções, onde eles parecem ter a real pretensão de desconstruir os gêneros utilizados, enquanto criam novos.

 

 
Foto e Videos : Thievery Corporation – Divulgação.